Na política, alguns “amores” parecem nascer justamente quando as urnas começam a se aproximar. E, pelo visto, o Cariri acaba de ganhar mais um admirador de última hora.
O presidente da Assembleia Legislativa do Ceará e candidato à reeleição, Romeu Aldigueri (PSB), intensifica sua presença política na região justamente às vésperas das eleições de 2026. Para quem acompanha a política caririense, a movimentação desperta uma pergunta inevitável: onde estava todo esse interesse pelo Cariri durante os últimos anos?
A região, uma das maiores forças políticas, econômicas e populacionais do Ceará, não pode ser tratada apenas como um grande reservatório de votos a ser visitado quando começa a corrida eleitoral.
Agora, com a eleição batendo à porta, Aldigueri parece ter colocado o Cariri no mapa de suas prioridades políticas. Aproximações, articulações e a busca por lideranças locais passam a fazer parte de uma estratégia evidente para conquistar espaço eleitoral em uma região onde o deputado não construiu, ao longo dos últimos anos, uma identificação política proporcional à importância do território.
É o velho roteiro da política: passa boa parte do mandato distante e, quando chega a eleição, desembarca de paraquedas de olho nos votos.
Se o deputado pretende conquistar o eleitor caririense, terá também de responder a uma questão simples: quais foram, efetivamente, as ações, recursos e projetos destinados por seu mandato aos municípios da região durante os últimos anos?
Porque representação política não deveria começar na véspera da eleição.
O Cariri precisa de deputados presentes quando não há voto sendo pedido, de parlamentares que defendam seus municípios durante os quatro anos de mandato e de lideranças que enxerguem a região para além do tamanho do seu colégio eleitoral.
Romeu Aldigueri tem todo o direito de buscar votos no Cariri. Assim como o eleitor caririense tem todo o direito de perguntar: por que só agora?
Em 2026, talvez seja essa a pergunta que os candidatos “de fora” terão de responder antes de pedir o voto de quem vive aqui.
Por: Karol Matos – Política de A a Z
