Depoimentos, imagens de câmeras de segurança e informações obtidas durante a investigação ajudaram a Polícia Civil do Ceará (PCCE) a reconstruir a sequência de acontecimentos que antecederam e sucederam o assassinato do soldado Raphael Sampaio da Silva, morto a tiros e posteriormente carbonizado em Fortaleza, na madrugada do dia 11 de agosto.
Segundo o relatório complementar da investigação, concluído em 19 de agosto, Raphael deixou o 16º Batalhão da Polícia Militar, em Messejana, por volta das 2h. Ele estava acompanhado da também policial militar Júlia Natália Girão Gomes, que teria pedido uma carona após o fim do expediente.
Por volta das 2h40, o carro de Raphael chegou no endereço onde Júlia morava com o companheiro, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior. O veículo permaneceu no local por aproximadamente 21 minutos, com os dois dentro do carro.
A investigação aponta que, cerca de uma semana antes do crime, Júlia teria pedido para trocar a escala de serviço do dia 11 de agosto e pago R$ 50 a um colega pela permuta. Segundo o depoimento da testemunha, a policial não tinha o hábito de pagar por trocas de plantão, mas teria insistido para trabalhar naquela data.
Às 3h02, um veículo que estava na posse de Antoneudo chegou ao local e parou próximo ao carro de Raphael. Segundo a Polícia Civil, uma pessoa desceu do veículo e, segundos depois, câmeras registraram um clarão que pode corresponder aos disparos. Os dois veículos deixaram a região por volta das 3h04, seguindo em direção ao Anel Viário. O carro de Raphael foi posteriormente abandonado e incendiado em outro ponto da região.
O segundo veículo foi registrado por uma câmera a cerca de 226 metros do local e, depois, retornou à residência de Júlia e Antoneudo, onde chegou por volta das 3h32. Cerca de 20 minutos depois, uma pessoa saiu do imóvel com uma lanterna e percorreu a área por aproximadamente sete minutos. Para a investigação, um dos suspeitos pode ter retornado para procurar objetos ou possíveis vestígios do crime.
Depoimentos reunidos pela investigação apontaram que Júlia e Raphael mantinham um relacionamento. A Polícia Civil trabalha com as hipóteses de premeditação e motivação passional para o crime.
A perícia identificou lesões causadas por disparos de arma de fogo e constatou ausência de fuligem na traqueia, indicando que Raphael já estava morto quando o corpo foi carbonizado. Com base nos elementos reunidos no inquérito, Júlia e Antoneudo foram indiciados pela morte do soldado.
Por: Redação Caririensi
