A política costuma ser implacável com quem perde espaço, principalmente quando as derrotas se acumulam e a liderança começa a ser questionada dentro do próprio grupo. Em Caririaçu, João Marcos (PSD) parece enfrentar exatamente esse momento: o desafio de permanecer relevante após sucessivos reveses nas urnas.
Depois das derrotas eleitorais de 2016, 2020 e 2024, João Marcos chega às eleições de 2026 diante de uma batalha que vai além dos votos de seus candidatos. Está em jogo a própria capacidade de continuar sendo reconhecido como uma das principais lideranças da oposição no município.
João Marcos ainda busca ocupar a posição de líder do tradicional grupo conhecido como “Pé Rachado”. O problema é que os movimentos políticos atuais demonstram uma aparente falta de unidade até mesmo entre nomes que estiveram próximos dele nas eleições anteriores.
Um dos exemplos mais simbólicos é Adriana Calixto (MDB), ex-candidata à Prefeitura de Caririaçu apoiada por João Marcos em 2024. Nas eleições deste ano, os dois seguem caminhos diferentes.
Enquanto João Marcos apoia Márcio Jóias (PRD) para deputado estadual e Fernando Santana (PT) para deputado federal, Adriana Calixto decidiu apoiar Danniel Oliveira (MDB) para estadual e Fernanda Pessoa (PSD) para federal.
A divisão não seria tão significativa se estivéssemos falando apenas de escolhas individuais. Entretanto, quando uma liderança política não consegue conduzir nem mesmo antigos aliados e parte de sua militância em torno dos mesmos candidatos, surge inevitavelmente uma pergunta: quem, de fato, lidera hoje o grupo Pé Rachado em Caririaçu?
É justamente aí que mora o maior problema político de João Marcos.
Uma liderança não existe apenas pelo título ou pela tradição. Liderança política se mede pela capacidade de reunir, articular e conduzir um grupo. E, neste momento, a oposição de Caririaçu demonstra sinais claros de fragmentação.
As eleições de 2026, portanto, podem funcionar como uma espécie de termômetro para João Marcos. Mais do que ajudar Márcio Jóias e Fernando Santana a conquistarem votos em Caririaçu, ele precisará mostrar que ainda possui influência eleitoral e capacidade de mobilização.
Depois de três derrotas consecutivas, um novo resultado politicamente desfavorável pode aprofundar o desgaste de uma trajetória que já enfrenta dificuldades para se reorganizar.
Dizer agora que será definitivamente o “fim político” de João Marcos seria precipitado — na política, lideranças podem perder espaço e depois se reconstruir. Mas uma coisa parece evidente: João Marcos chega a 2026 pressionado a provar que ainda lidera alguma coisa.
Se seus candidatos tiverem desempenho fraco justamente dentro de Caririaçu, enquanto antigos aliados conseguirem entregar votos a outros nomes, a eleição poderá representar mais do que outra derrota.
Poderá simbolizar a perda definitiva do protagonismo de João Marcos dentro do próprio grupo que ainda tenta liderar.
Por: Karol Matos – Política de A a Z
