A cena chamou atenção logo cedo nesta segunda-feira (02). Alguns vereadores de Juazeiro do Norte amanheceram no Palácio da Abolição, em Fortaleza, posando para fotos ao lado do secretário de Governo do Ceará, Chagas Vieira. Até aí, nada demais — faz parte do jogo político. O detalhe que levantou questionamentos foi outro: apenas parlamentares que integram a base do governador Elmano de Freitas participaram do encontro.
Estavam presentes Barbosa Neto e Bilinha, ambos do PT, Raimundo Júnior (MDB) e Cleilson Móveis (AGIR). Todos aliados do governo estadual.
Do outro lado, os vereadores Auricélia Bezerra e Jullian de Cielo (PSB) vieram a público denunciar o que classificaram como perseguição política. Segundo eles, teriam sido preteridos após participarem de um encontro com opositores do governo e, no caso de Jullian, após conceder um título de honraria ao ex-ministro Ciro Gomes.
A troca de acusações ganhou as redes sociais. Auricélia afirmou que havia solicitado uma reunião com o governador para tratar de emendas destinadas a Juazeiro do Norte e que o encontro teria sido articulado por meio da deputada federal Fernanda Pessoa com o próprio secretário Chagas Vieira. O secretário, por sua vez, negou a versão da vereadora.
E é justamente aqui que mora o problema.
Quando o acesso ao governador passa a depender de alinhamento político, a democracia encolhe. Vereador não representa apenas um grupo político — representa o povo. Se há emendas, projetos e demandas para Juazeiro do Norte, elas não pertencem à base aliada nem à oposição. Pertencem à cidade.
O secretário Chagas Vieira, como articulador político do governo, deveria ser o elo de diálogo entre todas as forças, não apenas entre os aliados. Ao selecionar interlocutores, ainda que indiretamente, cria-se a percepção de que o Palácio da Abolição tem lado. E isso é perigoso.
O governador Elmano de Freitas também precisa compreender que governar exige grandeza. A política pode até conviver com divergências, mas não pode transformar diferenças em barreiras institucionais.
Se há divergência ideológica, que ela fique no debate. Mas quando o assunto é investimento, recursos e melhorias para Juazeiro do Norte, não deveria existir cor partidária.
No fim das contas, a pergunta que ecoa nas ruas é simples: o Governo do Estado governa para aliados ou para todos?
Porque quem perde nessa disputa não são os vereadores. É a população.
Por: Karol Matos – Política de A a Z
