Nos últimos meses, um movimento curioso tem chamado a atenção nos bastidores da política cearense: o governador Elmano de Freitas passou a intensificar sua agenda no Cariri. Visitas, anúncios e articulações políticas começaram a surgir com mais frequência. Mas a pergunta que ecoa nos corredores das prefeituras e nas rodas de conversa da região é inevitável: por que só agora?
A verdade é que o governo enfrenta um cenário delicado no Cariri, uma das regiões politicamente mais estratégicas do Ceará. Entre críticas, promessas não cumpridas e conflitos políticos, a imagem do Palácio da Abolição parece ter se desgastado por aqui.
Um dos episódios mais comentados envolve a relação turbulenta com o prefeito de Glêdson Bezerra. As divergências sobre repasses estaduais para o município abriram um capítulo de tensão que rapidamente ultrapassou os bastidores e ganhou o debate público.
Como se não bastasse, a crise política também atingiu vereadores de Juazeiro do Norte. Parlamentares afirmam ter sido ignorados pelo governo estadual após uma reunião que, segundo eles, teria sido previamente agendada no Palácio da Abolição. O episódio ganhou ainda mais repercussão quando o secretário da Casa Civil, Chagas Vieira, utilizou as redes sociais para negar o encontro e acusar os vereadores de mentirem.
Do outro lado, os parlamentares reagiram dizendo estar sendo vítimas de perseguição política. O episódio acirrou ainda mais o clima entre o governo estadual e parte da classe política juazeirense.
E as polêmicas não param por aí. Em Crato, o debate gira em torno do contrato da Ambiental Ceará. Durante a campanha, aliados políticos como o senador Camilo Santana e o prefeito André Barreto chegaram a prometer o encerramento do contrato. A promessa, no entanto, permanece apenas no discurso — e o contrato continua em vigor.
Diante desse cenário, cresce a percepção entre parte da população de que o Cariri tem recebido menos atenção do que deveria por parte do governo estadual. A região, historicamente decisiva em disputas eleitorais no Ceará, parece agora cobrar presença, obras e diálogo político.
Talvez por isso a agenda do governador tenha começado a aparecer com mais frequência na região. A intensificação das visitas pode ser interpretada como uma tentativa clara de reduzir desgastes e reconstruir pontes.
Mas na política, presença tardia nem sempre resolve ausência prolongada.
E no Cariri, como se sabe, o eleitor observa, cobra… e não esquece.
Por: Karol Matos – Política de A a Z