Declaração do presente acontece dias após ex-servidores acusarem o Inep de censura
Foto: Rafael Carvalho
Agência Caririensi
Cumprindo agenda nos Emirados Árabes, o presidente Jair Bolsonaro disse nesta segunda-feira (15) que a prova do Enem que será aplicada este ano terá “a cara do governo” e não repetirá os “absurdos” das edições anteriores.
A fala do chefe do Pode Executivo acontece dias após a debandada de 37 servidores do Inep, responsável pela realização do Enem, alegando que as questões da prova estavam sofrendo censura. Bolsonaro diz que os temas das redações anteriores “não tinham nada a ver com nada” e que agora as provas estarão realmente voltadas para o aprendizado.
Sobre a saída dos funcionários do Inep, Bolsonaro diz ter conversado com o Ministro da Educação, o pastor Milton Ribeiro, e apenas classificou o assunto como “complexo” e falou que era um absurdo o que gastavam com aquelas pessoas.
No último dia 8, mais de 30 funcionários pediram exoneração do cargo relatando interferência na construção da prova e censura por parte da gestão. O dirigente Anderson Vieira, apontado pelo presidente do Inep, Danilo Dupas, teria pedido a retirada de 20 questões da prova. As questões estavam voltadas para o contexto social e econômico do Brasil nos últimos 50 anos e teria desagradado o presidente Jair Bolsonaro, segundo os servidores.
Os servidores foram obrigados a elaborar uma nova prova, que, na sua avaliação, ficou em um nível abaixo da versão anterior e pode prejudicar os alunos que concorrerão a cursos muito disputados. Além disso, também relatam que o presidente do Inep teria feito uma lista de 22 novos nomes de pessoas autorizadas a ter acesso à prova, todos de confiança do ministro Milton, e enviado um policial federal para o local em que o exame é preparado, um ambiente protegido por detector de metais, biometria e câmeras de segura, para intimidá-los.
O Enem acontecerá no dia 21 e 28 de novembro, em dois finais de semana distintos.