Imagem: Reprodução/ Redes Sociais Por Sued Carvalho Jair Bolsonaro foi eleito deputado federal pela primeira vez em 1990. Fez sua carreira sobre polêmicas, passou toda a década de 90 defendendo a Ditadura militar, defendendo a esterilização forçada de mulheres pobres, genocídio contra indígena, onde lamentou que o exército brasileiro não dizimou os povos originários (Pode ser encontrado no Diário da câmara dos deputados de 16 de abril de 1998), assim como é famosa a sua entrevista, onde defende que o Regime militar era “para ter matado uns trinta mil” e se afirmava a favor da tortura. Nos anos 2000 mais polêmicas, ameaçou agredir colegas deputadas, como Maria do Rosário e chegou a afirmar que a representante do Partido dos Trabalhadores (PT) não merecia ser “estuprada” por ser “feia”. Ficaram famosas também suas falas contra homossexuais, foi o único deputado a votar contra a PEC das domésticas e se colocou contra a Lei Maria da Penha no extinto programa CQC, em que afirmou que a mulher “quando apanha, merece”. A antropóloga Adriana Dias encontrou, também, uma carta de Bolsonaro publicada em sites neonazistas e afirma que o político tem ligações com grupos Nazi há pelo menos 17 anos. Tudo que foi escrito nos últimos dois parágrafos pode ser facilmente encontrado na Internet. Basta pesquisar no Youtube, no Google e serão os primeiros resultados. Ainda assim, apesar de toda essa evidência, de uma carreira marcada por falas grotescas e do voto dedicado ao torturador Ustra na votação do Impeachment de Dilma Rousseff em Abril de 2016, muitos políticos decidiram apoiar o nome de extrema-direita em 2018. Foi, em 2018, o voto em um político que nunca defendeu a democracia, sempre foi a favor da Ditadura, da tortura, contra os mais pobres, racista, LGBTfóbico e que durante a campanha ameaçou “metralhar a petralhada”! Foi uma derrota para a democracia brasileira alguém que elogia abertamente um torturador sequer pensar em ser candidato à presidência da República! No governo, Bolsonaro extinguiu todos os mecanismos de combate à insegurança alimentar, acabou com o Programa de Aquisição de Alimentos, cortou verbas da Farmácia Popular, deixou os nordestinos à própria sorte durante a crise do vazamento de óleo nas praias da região em 2019, praticou experimentos em seres humanos durante a pandemia de covid-19, quando forçou um medicamento sem comprovação científica, a cloroquina, e impôs o teste em massa da tese da imunidade de rebanho em Manaus, resultando nas dramáticas cenas de centenas afogando no seco. A partir de 2021, temendo a derrota nas eleições, Bolsonaro e seus aliados generais e latifundiários, passou a incentivar, abertamente, uma atitude golpista por parte de seus apoiadores fanáticos, questionando, sem provas (E admitindo não tê-las) a lisura das urnas eletrônicas. O ex-presidente testou um golpe em 07 de Setembro de 2021 e na mesma data no ano seguinte, onde ameaçou ministros do Supremo Tribunal Federal e procurou intimidar deputados e senadores da oposição. Ainda assim, depois dos testes em seres humanos, das ameaças à democracia e da atitude golpista, políticos do Cariri decidiram apoiar Bolsonaro no primeiro e no segundo turno. Um voto contra a democracia mais uma vez! Após as eleições Bolsonaro não reconheceu, em nenhum momento, o resultado das urnas, incentivando com seu silêncio seus apoiadores mais fanatizados a acamparem de frente aos quartéis, aqui em Juazeiro do Norte, bolsonaristas passaram quase dois meses acampados de frente ao Tiro de Guerra da cidade. Nem mesmo a tentativa de invasão da sede da Polícia Federal em Brasília no dia 12/12/2022, resultou em uma atitude mais enérgica contra o golpismo, tampouco uma repreensão por parte dos políticos caririenses que, vergonhosamente, apoiaram o inimigo da democracia nas eleições. No último domingo, entretanto, após o terrorismo bolsonarista em Brasília, diversos políticos caririenses publicaram tweets, posts no Instagram e Facebook tentando se dissociar do bolsonarismo, como, afirmando que eram contra tais manifestações golpistas! Só agora? E quando Bolsonaro afirmava que não reconheceria o resultado das urnas, onde estavam? Quando Bolsonaro incentivou o golpismo no dia 07/09/2021, onde estavam vocês?! Não cola! É tarde! Vocês financiaram e fizeram campanha para um golpista em 2018 e 2022 sabendo que era um golpista e só largaram o osso quando ficou muito caro politicamente manter esse apoio atroz. O voto em Bolsonaro foi sempre um voto contra a democracia, um voto para um golpista, para um defensor confesso da Ditadura e da Tortura! A existência de Jair Messias Bolsonaro na política institucional brasileira foi, durante mais de trinta anos, uma falha em nossa democracia e, ainda assim, alguns políticos caririenses subiram em seu palanque. Vergonha!