Foto Cedida ao Cariri En Si Por Matheus Linard Faltando pouco mais de um ano para as eleições presidenciais, engana-se quem pensa que é muito tempo, os principais candidatos ao pleito já estão em franca preparação desde janeiro de 2019, até mesmo porque a eleição não acontece somente nos 45 dias que precedem a votação. As preocupações que levaram o eleitor a decidir o futuro do país em 2018 mudaram drasticamente, enquanto a pauta de segurança pública foi responsável por 35% dos votos que elegeram Bolsonaro (segundo pesquisa do Instituto Paraná/Empiricus), os principais analistas apostam que a reconstrução do Brasil será o grande tema para 2022. O Presidente, que vive os piores dias de sua gestão, já sinaliza que se o derretimento de sua popularidade continuar, não sairá candidato à reeleição. Será a primeira vez desde a redemocratização que um Presidente eleito não disputará a recondução do mandato. Mas caso decida concorrer, a construção do seu discurso para 2022 está clara: o homem que foi sabotado por governadores e prefeitos no combate à pandemia. Embora saibamos que não houve sabotagem, os fatos não importam tanto assim na era da pós-verdade. Afinal de contas ele não precisa convencer a todos e sabe disso. Bolsonaro explora a dor do brasileiro que foi impedido de trabalhar pelas medidas necessárias de isolamento social e as converte em capital político. Se isso é o bastante para reelegê-lo ainda não sabemos, mas é o suficiente para mantê-lo no páreo como um forte competidor. Lula, que recentemente teve seus julgamentos anulados pelo STF (o que não gera presunção de inocência em relação aos crimes cometidos), é o forte candidato da polarização Direita X Esquerda, polarização patrocinada inclusive pelo bolsonarismo, que depende dele para existir politicamente. O ex-presidente detém um capital político cristalizado e sem dúvida alguma é um fiel da balança, mas pesquisa da EXAME/IDEIA divulgada três dias atrás mostra que a maioria dos brasileiros (43%) está rejeitando a ideia de ter Lula ou Bolsonaro como Presidente em 2022. Ele e seu principal concorrente beneficiam-se do fato dos nomes apontados como terceira via, até o momento, não terem demonstrado viabilidade eleitoral e caso isso não aconteça, corremos o risco real de ter Bolsonaro ou Lula ocupando o terceiro andar do Palácio do Planalto. O líder do PT que ruma a um terceiro mandato, aposta no discurso de preso político injustiçado e tenta animar os setores que foram esfacelados pela pandemia e suas consequências. No bloco da terceira via, o melhor posicionado é Ciro Gomes, aparece com 9% das intenções de voto na última pesquisa e recentemente contratou João Santana, o ex-marqueteiro petista que elegeu 6 presidentes ao redor do mundo. A primeira peça publicitária divulgada pelo PDT, mostra Ciro acenando para os 14 milhões de desempregados e os mais de 40 milhões de brasileiros jogados abaixo da linha da pobreza, frisando a necessidade de “reconstruir o país das cinzas, fazer um novo Brasil florescer” enquanto ergue a rosa símbolo do partido. No entanto, o publicitário tem um desafio gigante em suas mãos: Como criar um discurso político para Ciro que não se volte contra o próprio? Afinal de contas, o pindamonhangabense radicado em Sobral, que se tornou oposição à esquerda de Lula e agora brada aos quatro ventos o quanto o ex-presidente é corrupto, foi aliado de primeira hora no passado, inclusive ocupando Ministérios nos mandatos petistas. O ex-ministro da Justiça e ex-Juiz Sérgio Moro, que alcançou o status mundial de ícone de combate à corrupção, inclusive denunciando a interferência na Polícia Federal por parte do próprio governo que integrava, é hoje o candidato mais viável da chamada Terceira Via aparecendo com 10% das intenções de voto, contudo, não está tão bem posicionado no xadrez de 2022 quanto o irmão do Senador Cid Gomes. Isso por que o Brasil conhece a luta de Moro contra a corrupção, mas nosso conhecimento sobre suas ideias para por aí. E um Presidenciável não pode ser um samba de uma nota só, precisa ter ideias claras inclusive sobre a reconstrução que nosso país necessita. Ainda não se sabe se ele de fato será candidato em 2022 ou apoiará abertamente alguém, o que se sabe é que até outubro decidirá sobre a candidatura, que caso concretize-se, será pelo Podemos. Luiz Henrique Mandetta pode ter hoje apenas 6% das intenções de voto de acordo com as pesquisas mais recentes, mas é a figura pública mais bem avaliada do Brasil. 40% dos brasileiros, segundo a pesquisa Atlas, ainda de acordo com a mesma, ele é rejeitado por 40% da população. Pode parecer muito, mas figuras como Lula e Bolsonaro são rejeitados por 58% e 60% respectivamente. A construção do discurso de Mandetta para 2022 passa pela sua condução no enfrentamento ao coronavírus, bem avaliada inclusive por opositores do governo e que o transformou em presença constante nas lives dos artistas sertanejos. A alta popularidade dele, maior inclusive que a do presidente, foi fator determinante para sua demissão. Num país em que em 2022 não teremos alcançado 70% da imunização do covid-19, a postura séria, centrada e eficiente de Mandetta, aliada a sua boa imagem na memória dos brasileiros, pode transformá-lo em um candidato viável, caso a terceira via una-se em torno de seu nome. Mas até que ponto o marketing, que foi determinante nas eleições de Lula, Dilma e Bolsonaro, influenciará na escolha do próximo ano? Conseguirão os candidatos construir um discurso coerente e verossímil que arrebate o coração e a cabeça do eleitor ou teremos mais do mesmo? Repetiremos o cenário de 2018 em que milhões de eleitores escolheram seu governante por emoção e não por razão? Somos seres humanos racionais, fazemos nossas escolhas com o intuito de satisfazer o nosso autointeresse, alguém arrisca dizer qual será o autointeresse dos brasileiros que irão às urnas no ano que vem? E você, meu caro leitor, qual discurso desses citados acima definirá o seu voto? “Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal Cariri En Si”