Copa do Mundo FIFA2026
Carregando partidas…

A política do Marketing: o quanto a construção do discurso pode influenciar no cenário eleitoral de 2022 (OPINIÃO)

 

Foto Cedida ao Cariri En Si
Por Matheus Linard
Faltando pouco mais de um ano para as eleições presidenciais, engana-se quem pensa que é muito tempo, os principais candidatos ao pleito já estão em franca preparação desde janeiro de 2019, até mesmo porque a eleição não acontece somente nos 45 dias que precedem a votação.
As preocupações que levaram o eleitor a decidir o futuro do país em 2018 mudaram drasticamente, enquanto a pauta de segurança pública foi responsável por 35% dos votos que elegeram Bolsonaro (segundo pesquisa do Instituto Paraná/Empiricus), os principais analistas apostam que a reconstrução do Brasil será o grande tema para 2022.
O Presidente, que vive os piores dias de sua gestão, já sinaliza que se o derretimento de sua popularidade continuar, não sairá candidato à reeleição. Será a primeira vez desde a redemocratização que um Presidente eleito não disputará a recondução do mandato.
Mas caso decida concorrer, a construção do seu discurso para 2022 está clara: o homem que foi sabotado por governadores e prefeitos no combate à pandemia. Embora saibamos que não houve sabotagem, os fatos não importam tanto assim na era da pós-verdade. Afinal de contas ele não precisa convencer a todos e sabe disso. 
Bolsonaro explora a dor do brasileiro que foi impedido de trabalhar pelas medidas necessárias de isolamento social e as converte em capital político. Se isso é o bastante para reelegê-lo ainda não sabemos, mas é o suficiente para mantê-lo no páreo como um forte competidor.
Lula, que recentemente teve seus julgamentos anulados pelo STF (o que não gera presunção de inocência em relação aos crimes cometidos), é o forte candidato da polarização Direita X Esquerda, polarização patrocinada inclusive pelo bolsonarismo, que depende dele para existir politicamente. 
O ex-presidente detém um capital político cristalizado e sem dúvida alguma é um fiel da balança, mas pesquisa da EXAME/IDEIA divulgada três dias atrás mostra que a maioria dos brasileiros (43%) está rejeitando a ideia de ter Lula ou Bolsonaro como Presidente em 2022. 
Ele e seu principal concorrente beneficiam-se do fato dos nomes apontados como terceira via, até o momento, não terem demonstrado viabilidade eleitoral e caso isso não aconteça, corremos o risco real de ter Bolsonaro ou Lula ocupando o terceiro andar do Palácio do Planalto.
O líder do PT que ruma a um terceiro mandato, aposta no discurso de preso político injustiçado e tenta animar os setores que foram esfacelados pela pandemia e suas consequências.
No bloco da terceira via, o melhor posicionado é Ciro Gomes, aparece com 9% das intenções de voto na última pesquisa e recentemente contratou João Santana, o ex-marqueteiro petista que elegeu 6 presidentes ao redor do mundo.
A primeira peça publicitária divulgada pelo PDT, mostra Ciro acenando para os 14 milhões de desempregados e os mais de 40 milhões de brasileiros jogados abaixo da linha da pobreza, frisando a necessidade de “reconstruir o país das cinzas, fazer um novo Brasil florescer” enquanto ergue a rosa símbolo do partido.
No entanto, o publicitário tem um desafio gigante em suas mãos: Como criar um discurso político para Ciro que não se volte contra o próprio? Afinal de contas, o pindamonhangabense radicado em Sobral, que se tornou oposição à esquerda de Lula e agora brada aos quatro ventos o quanto o ex-presidente é corrupto, foi aliado de primeira hora no passado, inclusive ocupando Ministérios nos mandatos petistas.
O ex-ministro da Justiça e ex-Juiz Sérgio Moro, que alcançou o status mundial de ícone de combate à corrupção, inclusive denunciando a interferência na Polícia Federal por parte do próprio governo que integrava, é hoje o candidato mais viável da chamada Terceira Via aparecendo com 10% das intenções de voto, contudo, não está tão bem posicionado no xadrez de 2022 quanto o irmão do Senador Cid Gomes.
Isso por que o Brasil conhece a luta de Moro contra a corrupção, mas nosso conhecimento sobre suas ideias para por aí. E um Presidenciável não pode ser um samba de uma nota só, precisa ter ideias claras inclusive sobre a reconstrução que nosso país necessita.
Ainda não se sabe se ele de fato será candidato em 2022 ou apoiará abertamente alguém, o que se sabe é que até outubro decidirá sobre a candidatura, que caso concretize-se, será pelo Podemos.
Luiz Henrique Mandetta pode ter hoje apenas 6% das intenções de voto de acordo com as pesquisas mais recentes, mas é a figura pública mais bem avaliada do Brasil. 40% dos brasileiros, segundo a pesquisa Atlas, ainda de acordo com a mesma, ele é rejeitado por 40% da população. Pode parecer muito, mas figuras como Lula e Bolsonaro são rejeitados por 58% e 60% respectivamente.
A construção do discurso de Mandetta para 2022 passa pela sua condução no enfrentamento ao coronavírus, bem avaliada inclusive por opositores do governo e que o transformou em presença constante nas lives dos artistas sertanejos. A alta popularidade dele, maior inclusive que a do presidente, foi fator determinante para sua demissão.
Num país em que em 2022 não teremos alcançado 70% da imunização do covid-19, a postura séria, centrada e eficiente de Mandetta, aliada a sua boa imagem na memória dos brasileiros, pode transformá-lo em um candidato viável, caso a terceira via una-se em torno de seu nome.
Mas até que ponto o marketing, que foi determinante nas eleições de Lula, Dilma e Bolsonaro, influenciará na escolha do próximo ano? Conseguirão os candidatos construir um discurso coerente e verossímil que arrebate o coração e a cabeça do eleitor ou teremos mais do mesmo? Repetiremos o cenário de 2018 em que milhões de eleitores escolheram seu governante por emoção e não por razão?
Somos seres humanos racionais, fazemos nossas escolhas com o intuito de satisfazer o nosso autointeresse, alguém arrisca dizer qual será o autointeresse dos brasileiros que irão às urnas no ano que vem?
E você, meu caro leitor, qual discurso desses citados acima definirá o seu voto?
“Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal Cariri En Si”

Gostou da matéria, Compartilhe!

Rolar para cima