O Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) com pedido de cassação do diploma e declaração de inelegibilidade do deputado federal reeleito Yury do Paredão (MDB). A acusação aponta suposto abuso de poder político e econômico e uso promocional de atendimentos de saúde para beneficiar candidaturas nas eleições de 2026.
A petição, assinada em 2 de novembro pelo procurador regional eleitoral Celso Costa Lima Verde Leal, tem como foco a utilização da “Carreta Conectados pela Cura”, unidade móvel do Hospital e Maternidade São Vicente de Paulo, de Barbalha. Segundo o MPE, consultas e exames gratuitos teriam sido apresentados à população como realizações do mandato de Yury, por intermédio do Instituto Dra. Yanny Brena, presidido pela mãe do parlamentar.
Yury conquistou seu primeiro mandato de deputado federal em 2022, quando recebeu 90.425 votos, então pelo PL. Em 2026, conforme a petição, foi reeleito com 261.291 votos — um crescimento de 170.866 votos, equivalente a aproximadamente 189%. O aumento da votação, isoladamente, não comprova irregularidade eleitoral.
Além do parlamentar, a ação inclui sua mãe, Márcia Maria Alencar Araújo, presidente do instituto; Sharon Alexandre Landim Rolim, identificado no documento como diretor adjunto do hospital; o deputado estadual Davi de Raimundão; e o ex-prefeito de Juazeiro do Norte Raimundo Antônio de Macedo, o Raimundão. O Ministério Público também pede a cassação do diploma de Davi e a declaração de inelegibilidade dos cinco investigados, além de multa aos candidatos.
Segundo a Procuradoria Regional Eleitoral, a carreta oferecia consultas de ginecologia e mastologia, ultrassonografias e mamografias a moradores do Cariri. A acusação sustenta que a estrutura de saúde foi utilizada para promover os nomes de Yury e Davi, especialmente após o lançamento da aliança eleitoral entre os dois, em julho.
O documento afirma que, a partir daquele mês, a unidade passou a funcionar quase exclusivamente em Juazeiro do Norte, base eleitoral dos parlamentares, permanecendo no município até 2 de outubro, dois dias antes do primeiro turno.
Um dos pontos destacados pela acusação é a relação entre emendas parlamentares destinadas ao hospital e a divulgação dos atendimentos. Conforme a petição, uma emenda individual de Yury no valor de R$ 1 milhão foi repassada à instituição em 10 de julho de 2026, na semana em que a carreta chegou a Juazeiro do Norte.
Para o MPE, a suposta irregularidade estaria na utilização conjunta dos recursos, da estrutura hospitalar e da divulgação dos serviços para obter vantagem eleitoral. A Procuradoria sustenta que os atendimentos eram apresentados ao eleitor como entregas pessoais dos candidatos.
A ação também questiona os critérios de acesso aos procedimentos. Segundo o documento, a carreta atendia por demanda espontânea, fora da regulação municipal, enquanto Juazeiro do Norte tinha 4.735 pacientes aguardando os mesmos tipos de procedimentos. Na avaliação do Ministério Público, o acesso teria sido condicionado ao bairro escolhido para receber a unidade e ao cadastro no instituto, em vez da prioridade clínica.
A petição relata ainda que, conforme informações da Polícia Federal, pessoas que se apresentavam como ligadas a Yury e Davi teriam visitado moradores do bairro Frei Damião, perguntado sobre suas escolhas eleitorais e oferecido exames da carreta. Esses relatos integram os elementos apresentados pela acusação e dependem de análise judicial.
Outro eixo da ação é a ligação administrativa entre o Instituto Dra. Yanny Brena e o deputado. O MPE aponta que a entidade utilizava um endereço eletrônico de contabilidade hospedado em domínio associado ao nome de Yury, também empregado no cadastro de sua campanha de 2022 e de empresas.
Em manifestação reproduzida na petição, o instituto explicou que o endereço era utilizado havia anos por sua presidente e informou que adotava providências para atualizar o cadastro.
A Procuradoria também questiona a estrutura e a documentação financeira da entidade. Segundo a ação, o instituto declarou não possuir contratos ou notas fiscais relativos aos mutirões e atendimentos, nem registros contábeis separados por projeto. Para o MPE, esses elementos precisam ser confrontados com a divulgação de milhares de procedimentos atribuídos à instituição.
Os trechos apresentados contêm as acusações e os pedidos do Ministério Público, sem decisão de mérito que determine cassação ou inelegibilidade. Também não incluem as defesas dos investigados nesta ação. Caberá ao Tribunal Regional Eleitoral do Ceará analisar as provas e os argumentos das partes.
Por: Redação Caririensi




