Deputado que já foi preso por disparos contra funcionário e é investigado em caso de emendas Pix tenta reeleição no Ceará

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O deputado federal Yury do Paredão (MDB-CE) disputa a reeleição para a Câmara dos Deputados em 2026 em meio a episódios que marcaram sua trajetória pública. O parlamentar aparece em uma investigação relacionada à destinação e execução de emendas parlamentares no Ceará e, antes de ingressar no Congresso Nacional, chegou a ser preso após um episódio envolvendo disparos de arma de fogo próximos a um funcionário.

Atualmente no primeiro mandato como deputado federal, Yury teve sua candidatura à reeleição registrada pelo MDB. Dados eleitorais atualizados nesta quarta-feira (2) apontam que o registro está deferido e que ele concorre ao cargo de deputado federal pelo Ceará com o número 1515.

Investigação envolvendo R$ 10 milhões destinados a Choró

Um dos principais pontos envolvendo o parlamentar está relacionado às investigações sobre a utilização de emendas parlamentares no Ceará.

Segundo informações divulgadas pelo UOL, com base em decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Polícia Federal identificou elementos que levaram à abertura de uma apuração específica para aprofundar a possível participação de autoridades com foro privilegiado na destinação e execução supostamente ilícita de emendas.

Yury do Paredão aparece nas apurações em razão, entre outros pontos, de recursos destinados ao município de Choró, no Ceará.

Dados oficiais da Câmara dos Deputados confirmam que o parlamentar destinou, em 2024, R$ 10 milhões para Choró por meio de transferência especial, modalidade popularmente conhecida como “emenda Pix”. O valor aparece como autorizado, empenhado e pago.

De acordo com informações da investigação divulgadas pela imprensa, uma assessora parlamentar do gabinete de Yury teria mantido contato com Carlos Alberto Queiroz Pereira, conhecido como Bebeto do Choró, para tratar de informações relacionadas à execução da transferência especial destinada ao município.

A decisão de Gilmar Mendes, conforme revelou o UOL, aponta que registros da investigação indicariam uma interlocução direta e indireta de Yury com o núcleo operacional que seria liderado por Bebeto.

Ainda segundo a reportagem, o ministro considerou haver elementos que justificavam o aprofundamento das investigações sobre a relação entre os envolvidos e a aplicação dos recursos públicos.

Isso não significa, entretanto, que tenha sido comprovado desvio praticado pelo deputado. A investigação busca justamente esclarecer eventual participação de autoridades na destinação e execução irregular das emendas.

Em manifestação divulgada anteriormente, Yury negou irregularidades. O parlamentar afirmou, por meio de sua assessoria, que não existiriam acusações contra ele e declarou manter compromisso com a “seriedade, transparência e respeito pela verdade”.

Prisão após vídeo com disparos próximos a funcionário

O episódio envolvendo as emendas não é a primeira controvérsia da trajetória de Yury do Paredão.

Em 2018, antes de ser eleito deputado federal, Yury foi preso depois da repercussão de um vídeo no qual aparecia realizando disparos de arma de fogo contra o chão, próximos aos pés de um funcionário de uma propriedade rural.

Segundo reportagem do jornal O POVO, o Ministério Público do Ceará constatou, na época, que Yury não possuía registro da arma de fogo e pediu sua prisão, além do cumprimento de mandado de busca e apreensão.

Uma arma foi apreendida na propriedade. Conforme informações da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará divulgadas à época, a pistola pertencia à Polícia Militar de Pernambuco.

Yury acabou autuado por porte ilegal e disparo de arma de fogo e foi preso após decisão da 1ª Vara Criminal de Juazeiro do Norte.

Posteriormente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) concedeu habeas corpus ao empresário. Na decisão, o ministro Reynaldo Soares da Fonseca considerou que não havia contemporaneidade suficiente dos fatos para justificar a manutenção da prisão preventiva.

O próprio documento judicial citado pelo O POVO apontava que, embora os disparos tenham ocorrido próximos ao funcionário, não havia indicação de intenção de matar, descrevendo o episódio como uma “brincadeira arriscada”.

Das polêmicas à tentativa de permanecer na Câmara

Yury Bruno Alencar Araújo foi eleito deputado federal pelo Ceará em 2022 e atualmente exerce mandato na Câmara dos Deputados. Hoje filiado ao MDB, tenta conquistar mais quatro anos no Congresso Nacional.

Sua candidatura ocorre enquanto as investigações relacionadas às emendas parlamentares continuam colocando sob análise a atuação de políticos cearenses e a destinação de recursos públicos.

No caso específico de Yury, as apurações sobre os R$ 10 milhões destinados a Choró precisam ser tratadas sob o princípio da presunção de inocência: a existência de investigação não representa condenação ou comprovação de participação em eventual esquema.

Ao eleitor, porém, cabe conhecer não apenas as propostas apresentadas durante a campanha, mas também os episódios, investigações e fatos públicos relacionados aos candidatos que buscam representar novamente o Ceará na Câmara dos Deputados.

Por: Redação Caririensi

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