A política de Altaneira vive hoje um daqueles momentos que dificilmente passam despercebidos pelo eleitor. O que antes era apresentado como uma aliança sólida entre o ex-prefeito Dariomar Rodrigues e o deputado estadual Fernando Santana agora se transforma em um cenário que muitos moradores classificam como uma clara ruptura marcada pela conveniência política.
Durante anos, Dariomar foi um dos principais fiadores políticos de Fernando Santana no município. Subiu em palanques, pediu votos e defendeu publicamente o projeto político do deputado. Por isso, a recente aproximação entre Fernando Santana e a prefeita Késia Alcântara não apenas surpreendeu — ela provocou indignação e sensação de abandono entre parte significativa do eleitorado.
Na prática, Altaneira assiste à repetição de um velho roteiro da política brasileira: adversários históricos tornam-se aliados da noite para o dia, enquanto antigos parceiros são simplesmente deixados para trás.
Como diz um conhecido ditado dos bastidores do poder: “a política muitas vezes convive bem com a traição, mas raramente perdoa o traidor.” E é exatamente sob essa perspectiva que muitos eleitores interpretam o novo arranjo político na cidade.
Pouco mais de um ano após deixar a Prefeitura, Dariomar demonstra publicamente insatisfação com o tratamento recebido dentro do próprio grupo político ao qual dedicou anos de apoio. Segundo aliados, faltaram respaldo, reconhecimento e, principalmente, gratidão política.
O episódio escancara uma realidade dura: na política, alianças frequentemente duram apenas enquanto são eleitoralmente úteis. Quando o cálculo político muda, histórias, lealdades e trajetórias parecem perder valor diante da necessidade de sobrevivência no poder.
A união entre Fernando Santana e Késia Alcântara pode até representar estratégia eleitoral para o futuro, mas inevitavelmente levanta questionamentos sobre coerência, memória política e respeito às bases que sustentaram projetos anteriores.
Em Altaneira, o recado das ruas começa a ficar claro: o eleitor pode até assistir em silêncio às mudanças de lado, mas dificilmente esquece quem esteve junto na construção e quem apareceu apenas na hora da conveniência.
Porque, no fim, a política muda rápido — mas o julgamento verdadeiro sempre acontece nas urnas.
Por: Karol Matos – Política de A a Z