Copa do Mundo FIFA2026
Carregando partidas…

Com baixa aceitação no Cariri, Camilo intensifica campanha por Elmano de Freitas(OPINIÃO)

Com-baixa-aceitacao-no-Cariri-Camilo-intensifica-campanha-por-Elmano-de-FreitasOPINIAO-aspect-ratio-40-21

A movimentação do senador Camilo Santana pelo Cariri nos últimos dias não parece ser apenas mais uma etapa natural do calendário eleitoral. Politicamente, ela pode ser interpretada como uma tentativa de fortalecer a campanha do governador Elmano de Freitas (PT) justamente em uma região onde o atual governo enfrenta questionamentos, ruídos com lideranças locais e sinais de insatisfação.

Camilo é, sem dúvida, uma das principais referências políticas do grupo governista no Ceará e foi um dos grandes responsáveis pela construção da candidatura de Elmano ao Governo do Estado. Agora, diante de uma eleição que exige novamente a mobilização das bases, o senador volta suas atenções para o Cariri.

E não é difícil entender o motivo.

Com mais de 800 mil eleitores, o Cariri representa um dos maiores e mais importantes colégios eleitorais do Ceará. É uma região que historicamente exerce peso político, econômico e eleitoral. Apesar disso, na composição da chapa majoritária governista para 2026, o Cariri ficou sem um representante diretamente ligado à região nas principais posições da disputa pelo Governo e pelo Senado.

Essa ausência alimenta uma pergunta que inevitavelmente aparece no debate político regional: qual é, hoje, o espaço reservado ao Cariri no projeto de poder estadual?

O cenário se torna ainda mais delicado quando se observa a relação entre o Governo do Estado e Juazeiro do Norte, maior cidade da região. O prefeito Glêdson Bezerra (Podemos), adversário político do grupo governista, vem acusando publicamente a gestão estadual de promover perseguição política contra o município. Também afirma que recursos anteriormente prometidos por aliados do governador não teriam sido repassados.

São acusações políticas que precisam ser analisadas com o devido contraditório e não podem, por si só, ser tratadas como fatos comprovados. Entretanto, do ponto de vista político, elas ajudam a alimentar uma narrativa de distanciamento entre o Palácio da Abolição e parte das lideranças do Cariri.

É nesse ambiente que Camilo intensifica sua presença.

Nos bastidores políticos da região, circulam avaliações de que Elmano enfrenta dificuldades de popularidade e aceitação no Cariri. Sem pesquisas públicas específicas que confirmem a dimensão dessa suposta rejeição regional, seria precipitado transformar essa percepção de bastidor em uma conclusão eleitoral. Mas ignorar a movimentação política em torno do problema também seria fechar os olhos para o cenário.

Camilo parece assumir, mais uma vez, o papel de principal fiador político de Elmano. Sua presença no Cariri pode servir para aproximar prefeitos, vereadores, lideranças comunitárias e grupos políticos que mantêm maior identificação com o senador do que propriamente com o governador.

E aí surge uma questão importante para esta campanha: até onde a força política de Camilo consegue ser transferida para Elmano?

Em 2022, o peso do então governador e de seu grupo foi fundamental na construção da vitória petista. Quatro anos depois, porém, Elmano chega às urnas carregando não apenas o apoio de seus padrinhos, mas também o julgamento sobre o próprio governo.

É justamente aí que mora o desafio.

Campanha eleitoral não vive apenas de alianças partidárias. Vive de percepção. E, no Cariri, o sentimento de representatividade regional deverá entrar na conta.

Uma região com mais de 800 mil eleitores dificilmente aceitará ser lembrada apenas quando chega a temporada de pedir votos. O eleitor caririense também observa investimentos, obras, compromissos cumpridos, presença política e, principalmente, o espaço que suas lideranças ocupam nas grandes decisões estaduais.

Por isso, quanto mais Camilo aparece no Cariri pedindo votos para Elmano, maior fica também a responsabilidade de explicar ao eleitor qual será o lugar da região em um eventual segundo mandato.

A eleição de 2026 poderá responder se a presença e o capital político de Camilo serão suficientes para ampliar a força eleitoral de Elmano no sul do Ceará.

Porque, desta vez, talvez não baste dizer ao Cariri em quem votar.

Será preciso convencer o Cariri de que ele também faz parte do projeto.

Por: Karol Matos – Política de A a Z

Gostou da matéria, Compartilhe!

Rolar para cima