Uma sequência de contratos milionários envolvendo shows do cantor Wesley Safadão em municípios cearenses voltou ao centro do debate público — especialmente após novas revelações de investigações da Polícia Federal que citam a relação do artista com o deputado federal Júnior Mano.
Publicações nas redes sociais apontam que Safadão teria faturado cerca de R$ 3,3 milhões em apenas quatro apresentações em Nova Russas, município do interior do Ceará. No entanto, documentos oficiais disponíveis indicam, ao menos, um contrato de R$ 1,2 milhão pago pela Prefeitura em 2025, por meio de inexigibilidade de licitação — mecanismo legal utilizado quando não há possibilidade de concorrência.
A contratação chama atenção não apenas pelo valor, mas pelo contexto político.
Nova Russas é administrada pela prefeita Giordanna Mano, esposa do deputado federal Júnior Mano — figura que aparece no centro de uma investigação da Polícia Federal que apura possíveis irregularidades envolvendo recursos públicos, articulação política e eventos.
INVESTIGAÇÃO DA PF APONTA RELAÇÃO ENTRE SHOWS E INTERESSES POLÍTICOS
Relatórios da Polícia Federal indicam que a relação entre o deputado e o cantor vai além de agendas institucionais.
De acordo com a investigação, há registros de conversas em que Júnior Mano teria solicitado R$ 200 mil em “patrocínio” para eventos em Nova Russas, valor que, segundo os investigadores, pode configurar uma “solicitação camuflada de propina”. 
Além disso, a PF também identificou mensagens envolvendo a tentativa de liberação de aeronaves vinculadas a Wesley Safadão para uso em deslocamentos de campanha eleitoral, o que ampliou os questionamentos sobre o uso de estruturas privadas em benefício político. 
Outro ponto destacado no inquérito é a atuação direta do parlamentar na organização e garantia de datas de shows do artista em municípios aliados, o que, segundo os investigadores, pode indicar uma intersecção entre interesses políticos e contratações públicas. 
DEFESAS NEGAM IRREGULARIDADES
Em nota, Wesley Safadão negou qualquer envolvimento político e afirmou que as conversas citadas tratam apenas de práticas comuns no setor de entretenimento, como pedidos de patrocínio.
Já o deputado Júnior Mano declarou que os diálogos não apontam qualquer ilegalidade e classificou as interpretações como distorcidas.
RELAÇÃO FAMILIAR E IMPACTO POLÍTICO
O caso ganha ainda mais repercussão devido à ligação direta entre os personagens.
A cidade onde os contratos foram firmados é administrada pela esposa do deputado, o que levanta questionamentos sobre possível conflito de interesses e influência política na contratação de atrações artísticas com recursos públicos.
Para especialistas, o cenário exige atenção, sobretudo pelo volume de recursos envolvidos e pela repetição de contratos em municípios sob influência política semelhante.
Por: Redação Caririensi