Fraude na merenda: empresa recebe mais de R$ 60 milhões de órgãos públicos, incluindo Governo do Ceará e três cidades do Cariri

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A investigação da Polícia Federal (PF) sobre o desvio de verba pública da merenda escolar encontrou repasses milionários de 10 municípios cearenses, de mais três cidades de outros estados do Nordeste e do Governo do Estado do Ceará para uma empresa investigada. O montante dos 20 maiores repasses à empresa do ramo alimentício chega a R$ 61,5 milhões, segundo a investigação da PF.

A apuração da PF ainda está na fase de inquérito sigiloso, por isso não é possível afirmar que os órgãos são investigados ou que cometeram supostos crimes. A investigação da PF veio a público após dois homens serem presos com R$ 400 mil em espécie, no município de Iguatu, no último dia 30 de dezembro. O saque da quantia teria sido feito a mando do empresário Diego Marcondes Cartaxo Tavares, proprietário da DLA Comercial de Alimentos.

Conforme a investigação, a DLA Comercial de Alimentos movimentou mais de R$ 19 milhões nos últimos anos e é suspeita de desviar recursos públicos federais do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), repassados ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). O suposto grupo criminoso realizava saques com cheques e se utilizava de ‘laranjas’, para realizar a lavagem de dinheiro proveniente dos desvios.

Investigados negam

O suposto esquema criminoso tinha como objetivo lavar o dinheiro ilícito e impedir o rastreamento das atividades. A defesa de Diego Marcondes Cartaxo Tavares e da empresa DLA Comercial de Alimentos emitiu nota em que garantiu que os clientes não têm relação com o saque de R$ 400 mil. A nota afirmou ainda que ao decorrer da investigação serão apresentados os esclarecimentos necessários.

“Conforme registrado no próprio procedimento, o comprovante do saque foi apresentado em nome de empresa diversa (Comercial A WB LTDA), cujo sócio administrador é o Sr. Wallis, evidenciando tratar-se de pessoas e empresas distintas e independentes, sem relação entre si. Qualquer associação automática entre tais agentes e a DLA, portanto, é indevida e induz a pré-julgamento, o que deve ser evitado em respeito ao devido processo legal e à presunção de inocência”, diz um trecho da nota.

Crato, Brejo Santo e Juazeiro do Norte

O Diário do Nordeste publicou uma lista com os 20 órgãos que mais repassaram dinheiro à DLA Comercial de Alimentos. O Governo do Estado teria repassado um montante de R$ 4,4 milhões. Três municípios do Cariri também estão nessa relação: o Crato repassou R$ 7,1 milhões, Brejo Santo R$ 6,8 milhões e Juazeiro do Norte R$ 1,9 milhão. Ao jornal, as três prefeituras citadas disseram que não foram notificadas sobre a investigação.

Por: Redação Caririensi

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