Votação relâmpago comandada por Yury do Paredão cancela R$ 90 milhões em emendas e causa reação no Congresso

yp

A atuação do deputado federal Yury do Paredão (MDB-CE) à frente da Comissão de Desenvolvimento Urbano da Câmara dos Deputados provocou forte reação no Congresso Nacional. Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o parlamentar comandou uma votação relâmpago que resultou no cancelamento de cerca de R$ 90 milhões em indicações de emendas apresentadas por 67 deputados federais e líderes partidários.

De acordo com a apuração, a decisão foi tomada em uma sessão que durou menos de dez segundos, no que seria a última reunião do colegiado no ano. As emendas anuladas pertenciam a parlamentares de partidos como União Brasil, PP, Republicanos, Podemos e Avante, o que gerou indignação entre líderes partidários e parlamentares atingidos.

Ainda conforme a Folha, o cancelamento abriu espaço para o remanejamento de R$ 44,5 milhões para municípios do Ceará, estado que concentra a base eleitoral de Yury do Paredão. Os recursos, originalmente indicados por outros deputados e partidos, passaram a ser direcionados por decisão do próprio presidente da comissão.

Reação no Congresso

A medida não atingiu apenas deputados de oposição ou de outros blocos. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), também teve cerca de R$ 7 milhões em emendas canceladas. Diante do episódio, lideranças partidárias passaram a defender a anulação da votação, alegando falhas no procedimento adotado e falta de transparência.

Relatos apontam que a sessão ocorreu de forma atípica: o plenário estaria em condições precárias, servidores foram convocados às pressas e não havia outros deputados presentes além do próprio presidente da comissão. A nova planilha com as indicações foi votada em menos de um minuto.

Questionamentos e desgaste político

O episódio escancara o embate em torno do controle das emendas parlamentares e reacende o debate sobre concentração de poder nas mãos de presidentes de comissões. Parlamentares afetados classificam a decisão como arbitrária e estudam medidas regimentais para tentar reverter o ato.

Até o momento, Yury do Paredão atribuiu as mudanças a um suposto erro de assessoria, mas o caso já provoca desgaste político e amplia a pressão sobre a condução dos trabalhos na Comissão de Desenvolvimento Urbano.

Por: Redação Caririensi

Gostou da matéria, Compartilhe!

Rolar para cima