A política de Aurora entrou em ebulição após o prefeito Marcones Feitosa (PT) usar as redes sociais para atacar publicamente o Legislativo municipal e, em especial, o presidente da Câmara, Osasco Gonçalves (PT). O motivo da crise é um pedido de suplementação orçamentária em regime de urgência, apresentado depois de a gestão extrapolar gastos previstos no orçamento.
Em vez de apresentar um plano transparente de ajuste fiscal ou assumir responsabilidades administrativas, o prefeito optou por transferir a pressão ao Parlamento, acusando o presidente da Câmara de “omissão” e de não pautar imediatamente o projeto no plenário. O discurso, no entanto, ignora o papel constitucional do Legislativo: analisar, fiscalizar e deliberar — não carimbar decisões do Executivo.
O que está em jogo?
A suplementação solicitada autoriza o remanejamento de recursos entre secretarias, abrindo margem para cobrir despesas já realizadas ou déficits criados por má programação financeira. Na prática, trata-se de consertar o caixa após o erro, sem apresentar contrapartidas claras de contenção de gastos.
Caso o projeto não avance, o risco apontado por especialistas é que o Executivo recorra a expedientes conhecidos como “pedaladas fiscais” — manobras que mascaram desequilíbrios orçamentários. Essa prática é vedada pela legislação e pode resultar em sanções severas, incluindo rejeição de contas e inelegibilidade do gestor.
Pressão política não substitui responsabilidade
O tom adotado pelo prefeito nas redes sociais eleva a tensão institucional e deseduca o debate público, ao tentar constranger vereadores a aprovar, às pressas, um pedido que merece exame técnico. Urgência fabricada não é justificativa para atropelar o rito legislativo nem para desqualificar o presidente da Casa.
Além disso, chama atenção o embate dentro do próprio partido, evidenciando fissuras na base governista e fragilizando a governabilidade. Em vez de diálogo e prestação de contas, a gestão escolheu a confrontação.
Pergunta que não cala
Se a administração estivesse com as contas equilibradas e planejamento em dia, por que a necessidade de uma suplementação emergencial agora? A resposta passa, inevitavelmente, pela forma como os recursos públicos foram executados ao longo do exercício.
O que se espera
A Câmara Municipal deve cumprir seu papel com independência, exigir dados, pareceres e justificativas e votar com responsabilidade. Já o Executivo precisa explicar os excessos, rever prioridades e abandonar o discurso de intimidação. Governar é planejar — e respeitar os freios e contrapesos da democracia local.
Por: Redação Caririensi

