O Cariri vem registrando um salto nos números da violência contra a mulher. As agressões vão desde violência verbal até o extermínio. Entre as 25 Áreas Integradas de Segurança Pública (AIS) do Estado, a AIS 19, que reúne 25 dos 29 municípios do Cariri, lidera o ranking de feminicídios, com 42 casos registrados desde 2018, sendo seis apenas este ano.
Machismo e homofobia
O feminicídio não começa no momento em que o agressor decide matar a vítima; ele vai sendo gerado aos poucos em cada palavra de ódio. No sábado (13), duas mulheres sofreram agressões verbais dentro de um bar em Missão Velha. Um homem sentiu-se no direito de expulsar o casal após elas darem um selinho em público — um caso de homofobia, mas também de machismo pela forma agressiva como as mulheres foram tratadas.
Apagamento
No dia seguinte ao ocorrido em Missão Velha, um caso brutal em Juazeiro do Norte: Alexandrina Maria da Conceição, de 53 anos, foi encontrada morta a facadas dentro de casa, no bairro João Cabral. O caso começou a ser investigado como feminicídio, mas até o momento pouco se sabe sobre o que de fato aconteceu. A vida de uma mulher terminou dentro de casa e muito pouco foi repercutido ou cobrado para que houvesse uma resposta.
Karine Barros
O caso que mais dominou os comentários nas redes sociais e pautou a imprensa cearense ocorreu em Missão Velha. A psicóloga Karine Gonçalves Luciano Barros, de 39 anos, foi assassinada a tiros em frente a uma escola municipal. O ex-marido dela, Diego Almeida Castro, foi preso como principal suspeito, e a história dos dois é um retrato do adoecimento das relações que produz a morte de várias mulheres diariamente no Brasil.
Segundo familiares, o casal travava uma batalha pela guarda do filho de dois anos, e esse teria sido o principal motivador do crime. Bem antes da manhã da sexta-feira (12), quando Karine foi morta, Diego já havia enviado mensagens com ameaças explícitas e demonstrado que não cumpriria decisões judiciais. O suspeito não demonstrou nenhum medo enquanto praticava as ameaças; chegou a publicar nas redes sociais seus próprios crimes, demonstrando estar certo da impunidade.
O enfrentamento
Durante a campanha dos 21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra a Mulher, a Delegacia de Defesa da Mulher de Juazeiro do Norte registrou 159 atendimentos, incluindo 46 medidas protetivas, 17 prisões em flagrante e 96 boletins de ocorrência. Os dados mostram a demanda constante por proteção e resposta do poder público.
Por: Redação Caririensi

