Cassado pela Justiça Eleitoral, Moésio Loiola e a política do desespero(Opinião)

moesio loiola

Há momentos na política em que o silêncio fala mais alto do que discursos inflamados. E há outros em que a fala, quando precipitada, expõe mais do que deveria. É exatamente nesse segundo cenário que se encontra o prefeito cassado de Campos Sales, Moésio Loiola(PSB), hoje protagonista de uma sucessão de movimentos que misturam desespero político, contradições ideológicas e estratégias mal calculadas.

Cassado pela Justiça Eleitoral, Moésio parece ter compreendido que, sozinho, dificilmente resistirá à tempestade jurídica que se formou sobre seu mandato. A saída encontrada? Uma tentativa de aproximação com o Partido dos Trabalhadores, partido que historicamente nunca fez parte de seu campo político natural. A manobra, porém, não passou despercebida — e muito menos foi bem recebida. Nos bastidores, a leitura foi clara: não se tratava de convergência ideológica, mas de sobrevivência política.

Como se não bastasse a fragilidade do cenário, veio o episódio que transformou tensão em constrangimento público. Na sessão da Câmara Municipal de Campos Sales, o vereador Robson Miranda(PSB), líder do governo, resolveu falar além do que devia — ou além do que podia. Ao afirmar que um habeas corpus em favor do prefeito já contaria com cinco votos no Pleno do Tribunal Regional Eleitoral do Ceará, o parlamentar colocou sob suspeita um julgamento que, oficialmente, sequer havia avançado além do voto do relator, Leonardo Oliveira.

A fala ganhou contornos ainda mais delicados quando se confirmou que o segundo magistrado, Emanuel Albuquerque, havia pedido vista do processo, suspendendo o julgamento. A pergunta que ecoou, dentro e fora do município, foi inevitável: como alguém pode afirmar a existência de votos que, formalmente, não existem? A declaração não apenas fragilizou a defesa do prefeito, como lançou sombras sobre a própria credibilidade institucional do julgamento.

O resultado foi imediato. A tentativa de aproximação com o governo do PT esfriou, a repercussão negativa se espalhou e Moésio passou de réu eleitoral a símbolo de uma gestão acuada, cercada por aliados que mais atrapalham do que ajudam. Em vez de construir pontes, queimou-as. Em vez de acalmar, provocou desconfiança.

No fim das contas, a política cobra coerência — e a Justiça, silêncio estratégico. Quando nenhum dos dois é respeitado, resta apenas a crônica do fracasso anunciado.

Por: Karol Matos – Política de A a Z

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