No dia de Reis, há exatamente um ano, a cultura popular de Juazeiro do Norte perdeu um de seus grandes ícones. Mestre Cícero Frank Severino, conhecido como Cicinho, 44 anos, foi brutalmente assassinado na calçada de sua casa, no bairro Pio XII, enquanto organizava apresentações de reisado, manifestação cultural que era sua paixão e sua vida.
O crime, que abalou a comunidade e silenciou as vozes do Reisado Manoel Messias, segue sem solução. A família ainda aguarda respostas enquanto a dor da perda se mistura à indignação pela ausência de justiça.
“Ele morreu fazendo o que amava, mas também no dia em que ele mais trabalhava e vivia. Para ele, o dia de Reis era sagrado”, relembra Flatenara Silva, filha do mestre, emocionada. Segundo ela, o período das festas de Reis é especialmente doloroso, pois reaviva a memória de Cicinho, cuja dedicação ao reisado marcava essa época do ano.
Na madrugada de 6 de janeiro de 2024, dois homens em uma motocicleta atiraram contra Cicinho, que foi alvejado por quatro disparos enquanto preparava um trono para a apresentação do grupo. Ele chegou a ser socorrido para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Limoeiro, mas não resistiu. Deixou a esposa e quatro filhos, além de um legado cultural que permanece vivo na memória de Juazeiro do Norte.
Embora a Polícia Civil do Estado do Ceará tenha informado que concluiu o inquérito e o remeteu à Justiça, o caso permanece em aberto. Em novembro de 2024, o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) solicitou diligências complementares após considerar insuficientes as provas apresentadas no inquérito, que sugeria arquivamento.
As investigações, segundo o MP, devem ser concluídas em até 90 dias. No entanto, a família e os amigos de Cicinho temem que o prazo seja prorrogado, e o caso caia no esquecimento.
Mestre Cicinho dedicou a vida à preservação do reisado, tradição que mistura dança, música e religiosidade. Além de ser líder do Reisado Manoel Messias, ele ensinava crianças e jovens da comunidade, transmitindo valores culturais e sociais.
Por: Redação Caririensi
