Após quase sete anos de espera e duas intensas jornadas de julgamento, os ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz foram condenados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A sentença, proferida pela juíza Lúcia Mothé Glioche, titular do 4º Tribunal do Júri da Justiça do Rio de Janeiro, fixou a pena de Lessa 78 anos e 9 meses de reclusão, além de 30 dias-multa. Já Queiroz foi condenado a 59 anos e 8 meses, com dez dias-multa.
Mais arielle e Anderson foram mortos a tiros em 14 de março de 2018, em um crime que mobilizou movimentos sociais e gerou grande pressão por justiça. Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial e irmã de Marielle, afirmou que a condenação não encerra a luta. “Ainda tem muita coisa pela frente. Não é só pela Marielle e pelo Anderson, é pelo projeto que a gente acredita, pelo direito de sair de casa para trabalhar e voltar com segurança”, declarou Anielle à imprensa.
Ágatha Arnaus, viúva de Anderson, também esteve presente no julgamento e manifestou sua indignação ao ouvir Lessa pedir desculpas pelo crime. “Eu não perdoo, nunca. Quem tem que perdoar é Deus, ou qualquer coisa em que ele acredite. Eu tenho paz na minha vida, mas isso não inclui perdão”, afirmou Ágatha.
A diferença entre as penas de Lessa e Queiroz gerou questionamentos, inclusive do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), que estuda a possibilidade de recorrer. “Ainda não tivemos acesso à sentença completa, mas a diferença pareceu significativa”, disse o promotor Eduardo Martins. “Vamos analisar os fundamentos invocados pela juíza com calma.”
O julgamento, iniciado na quarta-feira, dia 30, contou com mais de 13 horas de atividades, incluindo depoimentos de nove testemunhas e declarações dos réus. Enquanto Lessa confessou o crime e pediu desculpas, Queiroz alegou que só tomou conhecimento do assassinato de Marielle momentos antes da execução, ao já estar transportando o atirador.
Por: Redação Caririensi