Nesta quarta-feira, 30, começa o julgamento de Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, ex-sargentos da Polícia Militar do Rio de Janeiro, acusados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. A sessão, marcada para as 9h no 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro, trouxe alta expectativa, especialmente por ocorrer em formato híbrido, com os réus sendo ouvidos por videochamada.
Lessa, preso no Complexo Penitenciário de Tremembé, em São Paulo, e Queiroz, detido no Complexo da Papuda, em Brasília, responderão pelo crime de duplo homicídio triplamente qualificado, além da tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves, única sobrevivente do ataque.
O caso, que tem mais de 13 mil páginas distribuídas em 68 volumes e 58 anexos, traz a complexidade das investigações, que levaram à prisão dos acusados em 2019. Em 2024, tanto Lessa quanto Queiroz firmaram acordos de delação premiada, confessando o envolvimento nos assassinatos e detalhando suas participações.
O júri
O júri é composto pelo juiz presidente e sete jurados, selecionados entre cidadãos sem antecedentes criminais e sem formação em Direito. Os jurados permanecerão isolados no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro durante todo o processo, a fim de garantir imparcialidade e evitar qualquer interferência externa.
Sete testemunhas serão ouvidas ao longo do julgamento, incluindo a jornalista Fernanda Chaves, que acompanhava Marielle Franco e sobreviveu ao ataque. Familiares das vítimas e dois policiais civis também devem prestar depoimento, fornecendo uma visão detalhada dos fatos e ajudando a construir a acusação contra Lessa e Queiroz.
Ronnie Lessa, expulso da Polícia Militar em 2023 devido ao seu envolvimento no caso, é apontado como o executor dos disparos que tiraram a vida de Marielle e Anderson. Élcio de Queiroz, expulso da corporação em 2015, teria sido o motorista que ajudou Lessa na emboscada. Os dois ex-militares, presos desde 2019, confirmaram detalhes do crime em seus acordos de delação premiada, implicando um ao outro na execução.
Por: Redação Caririensi