Desde o início das enchentes no Rio Grande do Sul, os centros de distribuição de doações têm se deparado com uma variedade de itens “inapropriados” e “sem noção” entre os donativos recebidos. Entre os objetos inusitados estão calcinhas usadas, vestidos de noiva e até pinheiros de Natal.
Os centros de triagem, essenciais no auxílio aos desabrigados, têm enfrentado desafios adicionais com a separação e o envio adequado das doações. Voluntários relatam a frustração e o espanto ao se depararem com itens que fogem completamente do necessário para as vítimas das enchentes.
As recentes enchentes no Rio Grande do Sul atingiram 475 dos 497 municípios do estado, deixando cerca de 616,6 mil pessoas desabrigadas, conforme boletim da Defesa Civil Estadual divulgado nesta segunda-feira, 03.
Jossana Gonçalves, biomédica de 34 anos e voluntária no Centro de Distribuição do CTG 35, compartilha sua experiência. “Recebemos roupas rasgadas, muito manchadas, sapatos em más condições, sem pares ou sem cadarços, e roupas de cama com mau cheiro”, relata. Ela menciona que, em alguns casos, roupas chegam molhadas e precisam ser lavadas pelos voluntários.
Danielle Mattos, relações públicas de 32 anos e voluntária no Centro de Distribuição do Clube Farrapos, também encontrou itens inusitados. “Recebemos doações de perucas, calcinhas com enchimento no bumbum e roupas íntimas usadas”, comenta. Apesar de inadequados para os desabrigados, esses itens são reaproveitados em abrigos de animais, transformados em roupinhas, cobertores ou paninhos de limpeza.
Embora muitos donativos sejam inapropriados, algumas peças em boas condições, mas inadequadas para a situação atual, são direcionadas a outras finalidades. “Recebemos muitas roupas de festa, de 15 anos, de casamento”, explica Jossana, que repassa essas roupas a ONGs que ajudam debutantes de famílias de baixa renda.
Em contraste com os itens “sem noção”, os voluntários também encontram mensagens de solidariedade entre as doações. “Tem dois tipos de pessoas: a que nos doa árvore de Natal e a pessoa que nos envia uma carta para confortar o coração”, diz Eduardo Baldasso, relações públicas de 32 anos e voluntário no Clube Farrapos. Ele e sua esposa, Danielle, criaram um “mural de cartas” onde exibem recados e desenhos de crianças, trazendo um pouco de conforto e esperança aos gaúchos afetados pela tragédia.
Por: Redação Caririensi