Município descendente de quilombolas deu, em 2006, um percentual de 97,20% de votos ao ex-presidente Lula nas eleições presidenciais em que ele foi reeleito para um segundo mandato.
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Com pouco mais de 8.800 habitantes, Central do Maranhão ganhou projeção nacional por ter sido o município que, proporcionalmente, mais votou em Lula (PT) nas eleições presidenciais de 2006. No segundo turno daquele pleito, o petista levou 97,20% dos votos de lá, o que rendeu à cidade a fama de mais lulista do Brasil.
O g1 foi às cidades que mais votaram proporcionalmente em Lula(Central do Maranhão, MA), Bolsonaro (Nova Pádua, RS) e Ciro (Pires Ferreira, CE) nas últimas eleições que eles disputaram. Os três lideram a disputa neste ano, segundo o Ipec e o Datafolha.
Cidade mais lulista
No 2º turno das eleições presidenciais de 2006, Central do Maranhão deu ao ex-presidente a maior porcentagem de votos em um município: 97,20%.
Moradores contam que os motivos que levam a esse apreço pelo petista passam por uma identificação com o passado dele como sindicalista, mas, especialmente, por conta do Bolsa Família.
Para Valter Costa, 80 anos, um dos mais antigos da localidade, a cidade já se identificava com Lula antes mesmo de 2006.
“No primeiro governo, o povo queria mudança porque muitos pais de família, naquela época em que ele era sindicalista, queriam ele como presidente. No segundo governo, votaram nele por causa do Bolsa Família”, afirma.
Mesmo com a mudança do nome do programa para Auxílio Brasil, a população ainda associa a imagem de Lula ao Bolsa Família, segundo a prefeita do município, Cleudilene Gonçalves Privado Barbosa, a Fechinha.
“[A admiração pelo Lula] é muito pela implantação do Bolsa Família, por ser uma cidade, na época, muito carente. Muitas pessoas são gratas até hoje”, diz a prefeita do Republicanos, partido que nacionalmente é da base de apoio do presidente Bolsonaro.
Com uma população descendente de quilombolas, o município, emancipado em 1994, começou como um povoado que se formou no entorno de um grande engenho de açúcar. Os moradores viviam do ofício na lavoura, mas a falência da usina levou mais pobreza à região.
Até hoje, a cidade concentra muitos moradores aposentados pelo trabalho no campo, além de comerciantes, que tiram sua renda da Feira de Central, principal atrativo de público da cidade, aos domingos.
No último ranking do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) disponível, com base no Censo de 2010, Central do Maranhão aparece no 240º lugar no país, com 0.585, considerado baixo.
O indicador leva em conta três dimensões (longevidade, renda e educação) e varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano. O IDHM é uma versão local do IDH, o índice social usado pela ONU para avaliar o grau de desenvolvimento humano em países.
“Aqui é uma cidade muito pobrezinha. Aqui não tem movimento. Eu tenho o comércio, mas quando vende é só fiado. Tem uns que nem pagam. (…) Ele [Lula] fez os erros dele lá, que eu não sei, mas também trabalhou”, afirma Maria de Jesus, que mora em Central do Maranhão há 57 anos e hoje trabalha como comerciante. A sua principal fonte de renda, no entanto, é a aposentadoria.
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