Imagem: Reprodução/ Redes Sociais
Coluna de opinião por Sued Carvalho
No mês de julho a Articulação Povo na Rua convocou uma jornada de lutas que se desdobraria nos dias 16/07, 11/08 e 07/09, esta última data pensada, inclusive, para fazer frente à ameaça de protesto golpista chamado pelo atual presidente Jair Bolsonaro, que teme sair da presidência e ser preso por seus diversos crimes de corrupção e omissão antes, durante e depois da crise do covid-19.
No dia 16/07 o ato concentrou-se na Praça da prefeitura de Juazeiro do Norte e contou apenas com militantes da Unidade Popular pelo Socialismo (UP), que entoaram palavras de ordem com um carro de som e conseguiram boa adesão da população transeunte que concordava com a necessidade de se derrotar o projeto bolsonarista para melhorar a qualidade de vida da classe trabalhadora, que vem sofrendo com o profundo desemprego, falta de assistência e fome.
Com o desenrolar do mês de julho, contudo, organizou-se o movimento da chamada carta pela democracia, que engajou os mais diversos segmentos da sociedade brasileira, desde movimentos sociais até as Federações de Indústria e Comércio com o fim bem definido de defesa do processo eleitoral. A iniciativa deu visibilidade ao dia 11/08 que deixou de ser um dia de atos defendido apenas por uma parcela da esquerda.
As manifestações do dia 11/07 ocorreram também no Cariri, na cidade do Crato, a concentração foi às 08:30 na praça Siqueira Campos e o trajeto da marcha tinha como destino a Universidade Regional do Cariri (URCA). Diversos movimentos e partidos compareceram: Movimento Correnteza (Que levou uma delegação do curso de História), Unidade Popular pelo Socialismo, União da Juventude Rebelião (UJR), Partido Comunista Brasileiro (PCB), Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), entre outros.
Importante salientar que as manifestações não tiveram caráter eleitoral, pois a Unidade Popular (UP) tem Leonardo Péricles como candidato a presidente e o Partido Comunista Brasileiro (PCB) constrói a candidatura de Sofia Manzano e ambas as organizações dividiram espaço com o Partido dos Trabalhadores (PT) do ex-presidente Lula.
Os cratenses que caminhavam nas calçadas enquanto se ocupava a Rua Coronel Antônio Luiz gritavam em concordância com as palavras de ordem de “Fora Bolsonaro” e “Bolsonaro, seu fascistinha, os estudantes vão te colocar na linha”. O clima, no Cariri, é de antibolsonarismo, indiscutivelmente. No entanto, isso também requer alguns cuidados.
As forças de oposição ao bolsonarismo, especificamente à esquerda, precisa de um projeto para além da derrota eleitoral do atual presidente, é preciso ter propostas claras, objetivas e caminhos definidos a perseguir no sentido de reconstruir tudo que foi destruído e de reconquistar tudo que foi perdido. Muitas forças antagônicas a um projeto mais popular de Brasil assinaram a tal carta pela democracia, é preciso que não seja o projeto delas para as eleições que sejam hegemônicas nesse processo, mas o da classe trabalhadora, maior vítima dos 6 anos de desmandos de Temer-Bolsonaro.
Não basta derrotar Bolsonaro nas urnas, é necessário derrotar o projeto que o bolsonarismo representa, é preciso construir um Brasil para quem trabalha, é preciso que as manifestações populares sejam expressões desse desejo. Dia 07/09 mais uma vez a esquerda irá às ruas, na mesma data os bolsonaristas prometem tomar as vias na defesa do atual presidente.
Se as forças populares, democráticas, recuarem os golpistas avançarão ainda mais rápido. Sendo assim no dia 07/08 é vital que seja mostrado que a rua pertence aos trabalhadores, não aos que pretendem trair a democracia.
