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Os reféns do Bolsonarismo(OPINIÃO)

Em defesa da lava-jato, contra a corrupção, contra os privilégios, as pautas das manifestações levantadas pela Direita que ressurgiu impulsionada pela implosão do projeto de poder petista em 2016, mudaram da água para o vinho em três anos, quando assumiram um caráter personalista.

Foto: Matheus Linard/Divulgação 

Ainda que houvesse um apoio a pautas como aprovação da reforma da previdência, em defesa de Sérgio Moro, é inegável que as manifestações de 2019 tinham como único objetivo apoiar o presidente.

Eu mesmo participei de um ato na praça do Giradouro, em Juazeiro do Norte, e fiz um discurso, sem citar o nome, sobre Moro. Quando perguntei aos presentes de quem estava falando, todos em volta de forma uníssona: BOLSONAROOOOOOO!

O Movimento Brasil Livre, do qual sou coordenador estadual, foi o primeiro a denunciar o caráter personalista das manifestações e o primeiro a cair fora.

O passar dos anos só mostrou o quanto estávamos certos em nos afastar do projeto de poder bolsonarista e as manifestações de ontem, dois anos depois, são a prova cabal de que há um ponto de inflexão gigantesco na chamada Direita.

Nenhum cartaz contra a corrupção, em defesa da lava-jato, contra os privilégios, muito pelo contrário, os ainda apoiadores de Bolsonaro aprenderam a tolerar a corrupção em nome da tal governabilidade, a defender privilégios, se isso de alguma forma beneficia o presidente, os brasileiros que foram pra rua protestar contra os corruptos do governo Dilma, não só silenciaram com a indicação de Ciro Nogueira para o Ministério mais importante do governo, como chegaram a defender um réu na lava-jato, como última tábua de salvação do governo Bolsonaro. Tudo em nome da tal governabilidade.

É indiscutível que o homem que chegou à cadeira presidencial em 2018 com o apoio do voto ideológico, traiu todos os seus discursos. Nada restou do antigo Bolsonaro. E entre os quase 58 milhões de brasileiros que o apoiaram, há um cordão sanitário entre aqueles que votaram pelas pautas, e os que seguem defendendo o Presidente, nem que para isso seja preciso distorcer espaço-tempo e prostituir valores e princípios.

A sensação que fica para qualquer observador que ainda não tenha sido contaminado pela polarização, é que Bolsonaro não tem eleitores, os 25% de brasileiros que votariam no Capitão em 2022 na realidade são reféns. Reféns de um discurso populista, reféns das próprias escolhas e reféns dos próprios erros.

Algumas pessoas não abdicam do erro, pois devem a ele a própria existência.

“Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal Cariri En Si”

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