Em discurso, Bolsonaro promete redução de emissões e fim do desmatamento
Presidente afirmou na Cúpula do Clima que o Brasil está aberto à cooperação internacional Reprodução O presidente Jair Bolsonaro anunciou a meta de atingir a neutralidade climática até 2050 e acabar com o desmatamento ilegal do Brasil até 2030, em seu discurso para a Cúpula dos Líderes sobre o Clima, na manhã desta quinta-feira (22). O evento virtual organizado pelos Estados Unidos reúne 40 líderes mundiais e discute ações e metas para mitigar a crise climática. Jair Bolsonaro destacou a importância da biodiversidade brasileira e ressaltou que o Brasil está aberto para a cooperação internacional. A meta de neutralizar as emissões até 2050 antecipa em dez anos o compromisso anterior. “Entre as medidas necessárias para tanto, destaco aqui o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, com a plena e pronta aplicação do nosso Código Florestal. Com isso reduziremos em quase 50% nossas emissões até essa data”, afirmou Bolsonaro. O presidente afirmou que o Brasil está na vanguarda do enfrentamento ao aquecimento global e citou compromissos adotados pelo País anteriormente. “Temos orgulho de conservar 84% do nosso bioma amazônia e 12% da água doce da Terra. Como resultado, somente nos últimos 15 anos evitamos a emissão de mais de 7,8 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera”, afirmou. O presidente também ressaltou que o aís responde a menos de 3% das emissões globais anuais, e disse ser necessário reconhecer que as medidas anunciadas representam uma tarefa completa. “Diante da magnitude dos obstáculos, inclusive financeiros, é fundamental podermos contar com a contribuição de países, empresas, entidades instituições e pessoas dispostas a atuar de maneira imediata”, destacou Bolsonaro. O evento ocorre em meio a pressão interna e externa sob a condução das questões ambientais por Bolsonaro e Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente. Na terça-feira (20), fiscais do Ibama e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e outros servidores publicaram uma carta na qual afirmam que “todo o processo de fiscalização e apuração de infrações ambientais encontra-se comprometido e paralisado” devido a um recente ato publicado pelo governo. Em seu discurso, Bolsonaro disse o contrário. “Apesar das limitações orçamentárias do Governo, determinei o fortalecimento dos órgãos ambientais, duplicando os recursos destinados a ações de fiscalizações”, afirmou o presidente. Logo após o discurso de Bolsonaro, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirmou em entrevista coletiva que as metas definidas podem ser antecipadas, a depender dos recursos do País. “O presidente determinou a manutenção dos compromissos já assumidos e foi mais além. Ao assumir o compromisso de eliminação do desmatamento ilegal até 2030, ele reforçou o orçamento, o que pode dar espaço para que 2030 seja antecipado na prática. Com isso, isso será tão e mais fortemente feito quanto a gente possa receber recursos tangíveis, volumosos e imediados dos países e empresas estrangeiras”, disse Salles. O ministro disse que os recursos previstos pelo governo federal estão no orçamento de 2021, que ainda precisa ser aprovado. Outra fonte a ser estabelecida é o mercado de carbono, de acordo com Salles. A discussão para regulamentação dos mercados de carbono deve ocorrer na COP 26, que ocorre em novembro, em Glasgow, na Escócia. Salles também afirmou que ainda deve ser definido sobre a prorrogação da operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) na Amazônia. Conforme decreto presidencial, as Forças Armadas ficam na região até 30 de abril. “Agradeço o convite para participar desta Cúpula de Líderes. Historicamente, o Brasil é voz ativa na construção da agenda ambiental global. Renovo, hoje, essa credencial, respaldada tanto por nossas conquistas até aqui quanto pelos compromissos que estamos prontos a assumir perante as gerações futuras. Como detentor da maior biodiversidade do planeta e potência agroambiental, o Brasil está na vanguarda do enfrentamento ao aquecimento global. Ao discutirmos mudanças no clima, não podemos esquecer a causa maior do problema: a queima de combustíveis fósseis ao longo dos últimos dois séculos. O Brasil participou com menos de 1% das emissões históricas de gases de efeito estufa, mesmo sendo uma das maiores economias do mundo. No presente, respondemos por menos de 3% das emissões globais anuais. Contamos com uma das matrizes energéticas mais limpas, com renovados investimentos em energia solar, eólica, hidráulica e biomassa. Somos pioneiros na difusão de biocombustíveis renováveis, como o etanol, fundamentais para a despoluição de nossos centros urbanos. No campo, promovemos uma revolução verde a partir da ciência e inovação. Produzimos mais utilizando menos recursos, o que faz da nossa agricultura uma das mais sustentáveis do planeta. Temos orgulho de conservar 84% de nosso bioma amazônico e 12% da água doce da Terra. Como resultado, somente nos últimos 15 anos evitamos a emissão de mais de 7,8 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera. À luz de nossas responsabilidades comuns, porém, diferenciadas, continuamos a colaborar com os esforços mundiais contra a mudança do clima. Somos um dos poucos países em desenvolvimento a adotar, e reafirmar, uma NDC transversal e abrangente, com metas absolutas de redução de emissões inclusive para 2025, de 37%, e de 40% até 2030. Coincidimos, Senhor Presidente, com o seu chamado ao estabelecimento de compromissos ambiciosos. Nesse sentido, determinei que nossa neutralidade climática seja alcançada até 2050, antecipando em 10 anos a sinalização anterior. Entre as medidas necessárias para tanto, destaco aqui o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, com a plena e pronta aplicação do nosso Código Florestal. Com isso, reduziremos em quase 50% nossas emissões até essa data. Há que se reconhecer que será uma tarefa complexa. Medidas de comando e controle são parte da resposta. Apesar das limitações orçamentárias do Governo, determinei o fortalecimento dos órgãos ambientais, duplicando os recursos destinados às ações de fiscalização. Mas é preciso fazer mais. Devemos enfrentar o desafio de melhorar a vida dos mais de 23 milhões de brasileiros que vivem na Amazônia, região mais rica do país em recursos naturais, mas que apresenta os piores índices de desenvolvimento humano. A solução desse “paradoxo
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