Ilustrativa Por Matheus Linard Estamos vivendo uma guerra civil silenciosa desde 2014, onde a polarização do cenário eleitoral presidencial foi transportada para a vida civil. Pessoas desfazendo amizades longas e duradouras por causa de política, ondas de cancelamento por causa das escolhas individuais e pessoais e etc. A partir daí, se você não apoiava um, apoiava o outro. Ou, se você não é a favor, é contra. Se você não sabe, meu caro leitor, eu sou gay. Não tenho nenhum problema em falar sobre isso. E pasmem, eu nunca sofri preconceito por ser gay, mas sofri e muito por não me posicionar como um gay de esquerda, ou um gay militante e atacar sistematicamente a forma como o movimento gay age. Não me entendam mal, eu sou a favor da positivação dos direitos que hoje nos são negados, sou a favor de uma sociedade mais igualitária, sem preconceitos, com mais tolerância e amor, mas me nego a participar de um movimento que ignora minhas individualidades e particularidades, querendo forçar uma falaciosa consciência de classe. Para muitos, a consciência de classe deve ser a força motriz que move o nosso tecido social e ela defende que todas as nossas individualidades sejam desligadas, em prol da nossa classe. Em resumo, a consciência de classe prega que você perca a sua personalidade e aja em defesa de uma causa maior, a sua classe, seja ela qual for. Sempre fui e sempre serei contra movimentos coletivistas exatamente por isso, me recuso a anular minhas vontades, desejos e quereres para me transformar em uma massa homogênea cuja a única vontade, é servir a algo maior. Com o acirramento da polarização política devido ao caos social, econômico e sanitário em que nos encontramos, é natural que as pessoas se manifestem cada vez mais, seja contra o governo, seja a favor dele, é do jogo. O problema é quando tentam forçar alguém a se posicionar, seja sobre o que for e a atacam por ela querer manter a neutralidade. Desde que iniciei minhas críticas ao Bolsonaro e isso começou lá em 2019, venho sendo tachado de nova esquerda, psol kids, fantoche do Lula e etc. Logo eu, que convoquei manifestações contra o PT, pelo Impeachment da Dilma e um forte defensor da lava-jato. A moda agora é: se você critica o Bolsonaro, está do outro lado, quer o Lula de volta. Mas eu quero um Brasil sem covid, sem Lula e sem Bolsonaro. Não contem comigo para esse circo de polarização forçada. A atriz Juliana Paes recentemente foi alvo de uma campanha de ódio gratuito e difamação, por se recusar a participar do bonde de artistas críticos ao governo. Foi atacada até mesmo por uma grande amiga e colega de trabalho, a humorista Samantha Schmutz, que a chamou de covarde, desonesta, criminosa e cúmplice por não se posicionar publicamente contra o governo. O desabafo da atriz, postado em seu instagram, já tem 4,2 milhões de visualizações e mais de 106 mil comentários em menos de 24H. Paes rebate as acusações da colega e diz que não se sente representada nem por Bolsonaro, nem por Lula e que quer um governo Liberal, que respeite as liberdades individuais. Ao tentar forçar a fraternidade da amiga a sua causa, por mais legítima que possa parecer e por mais que a intenção seja a melhor possível, ela acaba destruindo a liberdade e o poder de escolha de Juliana. Fixem isso bem na mente de vocês, a fraternidade não pode ser legalmente forçada, sem que a liberdade seja legalmente destruída. Você não pode forçar ninguém a adotar a sua causa, o abraço deve ser espontâneo e genuíno. Se não houver, não tem nada demais. vida que segue. É sobre isso e tá tudo bem. Mas quando você insiste, persiste e não desiste de tentar obrigar o outro a enxergar o mundo da mesma forma que você, aí não tá tudo bem, você está querendo destruir a liberdade do amiguinho, você não está respeitando a liberdade individual dele. E esse é o grande problema do Brasil atualmente, as pessoas insistem em nos colocar em pólos opostos, como se estivéssemos numa guerra. E se nos recusamos a participar desse circo, somos atacados pelos donos da razão. Me diga, caro leitor, quando você quer construir algo, digamos, uma casa, o posicionamento ideológico do pedreiro importa? Você vai deixar de contratá-lo se souber que nas eleições ele vai votar em um candidato diferente do seu? Óbvio que não! O que interessa é que ele faça o trabalho para o qual foi contratado, e o que importa, no fim das contas, é a obra da casa concluída. Agora pense no Brasil como uma casa em construção, e nos eleitores que compõem o nosso tecido social como os pedreiros. O que vai acontecer com a casa se os pedreiros ficarem se agredindo, se xingando e se atacando a todo instante? Ou a obra não será terminada, ou até concluem, mas com falhas estruturais que irão nos fazer sofrer por mais 4 anos, talvez 8 ou mais. As consequências de uma má administração podem ser sentidas até mesmo 20 anos depois, como foi o caso da hiperinflação plantada nos anos 80. E os pedreiros (eleitores), parece que ainda não entenderam que esse é o momento de furar a bolha e construir pontes. O público de Lula só fala para si, o de Bolsonaro idem, e nem direita bolsonarista, nem a esquerda lulista, sozinhos, são capazes de eleger um presidente da república. E ainda temos o fator preponderante que 38% do eleitorado não quer votar em Lula nem Bolsonaro. Os pólos desse virtual clássico rei repetem à exaustão que não há espaço para uma terceira via, que o segundo turno entre o militar e o sindicalista está cravado. E o fazem pois um precisa do outro para existir politicamente. E há quem caia nesse papo, escolhendo um dos dois porque outro candidato não teria chances. Mas se todo mundo que dissesse isso, resolve-se apostar contra o “destino” e