Era finalzinho da tarde, a pedra fundamental acabava de ser lançada quando Manoel Pedro vai em direção do Monsenhor Joviniano e desfere uma facada no peito do sacerdote
Agência Cariri Ensi
Há 72 anos, no final da tarde de uma sexta-feira, 06 de janeiro de 1950, após participar do lançamento da pedra fundamental da construção do santuário de São Francisco das Chagas, o Monsenhor Joviniano Barreto, pároco da Igreja Matriz de Nossa Senhora das Dores de Juazeiro do Norte, foi brutalmente assassinado, pelo potiguar, natural do munícipio de Açú, Manoel Pedro da Silva.
Manoel Pedro era residente de Juazeiro do Norte e sofria de esquizofrenia. Por diversas vezes Manoel apelou ao Monsenhor Joviniano, para realizar o seu casamento com uma mulher casada, cujo sacramento era impossível, pois o magistério da Igreja não permite uma segunda união com um dos cônjuges ainda vivo.
Não aceitando as explicações do Monsenhor, Manoel, planeja matá-lo. Assim, faz sua primeira tentativa na missa do Natal de 1949, desistindo por falta de coragem. O plano permaneceu em sua mente, até que por ocasião da instalação do convento dos frades capuchinhos e lançamento da pedra fundamental do imponente santuário de São Francisco das Chagas em terras juazeirense o plano foi executado.
O dia estava bastante animado, pois, era festa dos Santos Reis e a população do município estava vibrante com a presença dos frades e inicio da construção de um novo templo. O que era pra ser um dia de jubilo, acabou por ser um dia de dor.
Era finalzinho da tarde, a pedra fundamental acabava de ser lançada quando Manoel Pedro vai em direção do Monsenhor Joviniano e desfere uma facada no peito do sacerdote, atingindo o coração, levando a uma morte imediata.
Regava assim, com sangue o solo que viria a ser um dos santuários mais visitados do Nordeste e do Brasil.
Durante toda noite e madrugada o corpo do sacerdote que por mais de 15 anos pastoreava aquelas almas, era velado na Igreja matriz, cujo altar tantas missas, novenas e práticas devocionais celebrou. Na manhã seguinte, mais de 4 mil homens e mulheres acompanharam seu esquife até o município do Crato, onde foi sepultado sob grande comoção.
Natural do município de Tauá, interior do Ceará, Joviniano Barreto nasceu no dia 05 de maio de 1889, mesmo ano que ocorreu o “milagre da hóstia”, no então povoado de Joazeiro, onde viria anos mais tarde exercer suas funções sacerdotais.
Ingressou no Seminário da Prainha em Fortaleza, recebendo a ordenação sacerdotal no dia 22 de dezembro de 1911, mesmo ano que o povoado de Joazeiro é elevado a categoria de município.
Foi professor do Seminário da Prainha, entre os anos de 1908 e 1909 e no colégio São José, município do Crato, entre 1910 e 1911. Entre outras o Monsenhor Joviniano Barreto exerceu as seguintes funções:
Vigário cooperador em Lavras da Mangabeira – Ceará.
Cura da Sé Catedral de Nossa Senhora da Penha em Crato, secretário do Bispado, professor e reitor do Seminário São José, vice-presidente do Banco do Cariri e diretor do colégio Diocesano, ambos no município do Crato.
Em 1934, com a morte de Monsenhor Esmeraldo, então pároco de Juazeiro do Norte, um grupo de senhoras foram até o município do Crato pedir para que assumisse a paróquia de Juazeiro, cujo convite ele recursou imediatamente usando as seguintes palavras: ”Não levem a mal a minha franqueza, mas prefiro deixar a batina a ser vigário em sua terra”. Fato é que dias depois de dá essa resposta aquele grupo de senhoras, o Monsenhor Joviniano Barreto, vai até o Bispo da época, Dom Francisco Pires e lhe pede para ser nomeado pároco da terra que dias antes tinha se recusado.
No dia 26 de março de 1935, assume a Paróquia de Nossa Senhora das Dores, cujo trabalho paroquial foi dinâmico criando várias associações religiosas. Foi responsável pela reforma da igreja matriz cuja arquitetura se conserva em grande parte nos dias de hoje, principalmente na parte externa.
Apesar dos inúmeros atritos com o seus paroquianos, ao longo dos anos foi adaptando-se ao modo simples e de fé de um povo que vinha de diversas partes do Nordeste, tentar uma vida melhor na terra do Padre Cicero.
Em Crato foi homenageado com uma rua, na capital do estado uma escola, em Juazeiro tem uma avenida e uma escola que carregam seu nome. Monsenhor Joviniano Barreto, é um dos personagens importantes da história de Juazeiro do Norte e do Cariri.