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Fome em Juazeiro do Norte: Diante de inércia da prefeitura, a esquerda local se mobiliza. (OPINIÃO)

Imagem: Reprodução/ Redes Sociais 
Artigo de opinião por Sued Carvalho

Qualquer juazeirense que desça ao centro de Juazeiro pôde reparar o aumento de pedintes nas calçadas, nas praças, nos restaurantes e entradas de supermercados. Nossa cidade não passou incólume pela destruição sofrida em nosso país nos últimos quatro anos do governo de extrema-direita de Bolsonaro, presidente cujo primeiro ato no governo foi extinguir o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), órgão responsável por discutir e elaborar medidas de combate à fome em nosso país. O fim do Consea desarticulou iniciativas importantes como o Plano de Aquisição de alimentos, assim como os incentivos a agricultura familiar, cozinhas comunitárias e restaurantes populares.
O argumento do governo Bolsonaro? Austeridade. Responsabilidade fiscal. Apesar de estourar dinheiro público em viagens de férias e medidas eleitoreiras, assim como milhões em viagra, picanha e cerveja para as forças armadas, o governo federal afirma estar “quebrado” para enfrentar a fome.
Se lá em Brasília tivemos um governo despreocupado com os mais pobres, que devolveu o Brasil ao mapa da fome, lançando 33 milhões de pessoas na extrema-pobreza, nos Estados e municípios temos governos que agem ou para aliviar ou agravar a situação. Em Juazeiro do Norte temos um governo municipal que age para tornar ainda mais difícil a situação.
Há três anos o restaurante popular, que servia comida barata para os trabalhadores, desempregados, aposentados, estudantes e diversos outros grupos em nossa cidade, está fechado e, no mês passado, foi anunciado que as cozinhas comunitárias recentes, localizadas nos bairros Horto, Frei Damião, João Cabral e Vila Nova, deixariam de fornecer refeições. O motivo alegado é que a alta do preço dos alimentos dificulta para os fornecedores manter o serviço pelo valor combinado nos contratos.
Alta nos alimentos esta causada pelos desmandos do governo Bolsonaro, pela desregulamentação dos estoques de estabilização de preços do Governo Federal e pela destruição do Programa de Aquisição de Alimentos. Glêdson Bezêrra, prefeito de Juazeiro do Norte, apoia essas políticas e apoia o governo Bolsonaro, tendo, inclusive, trabalhado na campanha de reeleição do capitão expulso do exército. Não seria lógico, portanto, esperar qualquer sensibilidade por parte desta gestão acerca do tema da insegurança alimentar.
Diante da inércia da prefeitura, movimentos populares, comunidades evangélicas locais e militantes de Partidos Políticos como o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Unidade Popular pelo Socialismo (UP), Partido dos Trabalhadores (PT), etc. se uniram na Frente Juazeiro sem Fome, com o objetivo de organizar doações de cestas básicas a famílias carentes e lutar pela reintrodução e fortalecimento das políticas de combate a fome no município, tendo a reabertura do Restaurante Popular como uma pauta urgentíssima.
O Prefeito Glêdson, após uma manifestação organizada pela Frente Juazeiro sem Fome ocorrida no dia 21 de Outubro, afirmou que irá iniciar a reforma do Restaurante Popular, porém ainda não foi publicada qualquer ordem de serviço, edital para licitação ou algo que o valha. A população carente ainda aguarda, de barriga vazia, a reabertura do equipamento.
Quem tem fome, tem pressa… Mas a gestão municipal parece não ter o assunto como urgente ao, além de não fomentar políticas de combate à fome, procurar empobrecer ainda mais parcela da classe trabalhadora juazeirense, especificamente os servidores públicos com menor remuneração através da proposta de reforma da previdência que irá aumentar, de forma linear, a alíquota descontada do salário para 14%. Diante do cenário municipal, é a tragédia anunciada.
Enquanto contingentes de desempregados, inadimplentes e pessoas sem teto aumentam em Juazeiro do Norte, a prefeitura não consegue se articular sequer para garantir um prato de comida a essas pessoas. Nessa conjuntura movimentos como a Frente Juazeiro sem Fome são importantíssimos.
 

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