Copa do Mundo FIFA2026
Carregando partidas…

Mulher estuprada que realizar aborto pode ter pena maior que estuprador, prevê projeto

Design sem nome

Um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados tem gerado grande polêmica e mobilizado debates intensos. De autoria do deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), da bancada evangélica, a proposta visa equiparar o aborto realizado após a 22ª semana de gestação ao crime de homicídio simples.

Se aprovado, o Projeto de Lei 1904/2024 estabelecerá que a mulher que interromper a gravidez após esse período poderá ser condenada a penas que variam de 6 a 20 anos de prisão, de acordo com o artigo 121 do Código Penal. Atualmente, a legislação brasileira permite o aborto em casos específicos, como quando a gravidez resulta de estupro, há risco de vida para a mãe, ou o feto é anencefálico.

A proposta de Cavalcante, no entanto, endurece as penalidades mesmo para esses casos excepcionais. Em uma situação hipotética, uma mulher adulta vítima de estupro que interrompa a gravidez após a 22ª semana poderá ser condenada a até 20 anos de prisão, enquanto o seu estuprador poderá cumprir uma pena que varia entre 6 e 10 anos, conforme o artigo 213 do Código Penal.

A desproporção entre as penas para aborto e estupro fica ainda mais evidente quando comparadas as penalidades para estupro de vulnerável. Neste caso, quando a vítima tem menos de 14 anos ou é incapaz de oferecer resistência, a pena mínima é de 8 anos e a máxima de 15 anos. Somente em casos de lesão corporal grave resultante do crime, a pena pode chegar a 20 anos.

Votação relâmpago na Câmara

A tramitação do projeto ganhou celeridade na última quarta-feira, 12, quando a Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para a proposta. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), conduziu a votação de forma rápida e em caráter simbólico, ou seja, sem o registro individual dos votos dos parlamentares. O “acordo” mencionado por Lira não fez referência específica ao teor do projeto, o que gerou críticas de diversos setores.

As bancadas do Psol, do PC do B e do PT manifestaram sua oposição à urgência da votação, mas a medida foi aprovada e o projeto poderá ser votado pelo plenário da Casa sem passar pelas comissões.

Por: Redação Caririensi

Gostou da matéria, Compartilhe!

Rolar para cima