Depois de um ano e meio o motim dos policiais militares no Ceará continua tendo desdobramentos extremamente graves, inclusive com violência planejada
Um documento do Ministério Público do Ceará (MPCE), publicado nesta última segunda (19), revela que a escolha por ocupar o 12º Batalhão de Policiamento Militar, em Caucaia, Região Metropolitana de Fortaleza, foi premeditada com intuito de chamar a atenção do Governo do Estado. Ao todo, mais de 400 policiais militares já foram denunciados pelo motim, sendo que vários foram punidos, até mesmo com a expulsão da força. Parte dos policiais militares cearenses parou as atividades em fevereiro de 2020. O ato ocorreu entre 18 de fevereiro e 2 de março, período em que o número de assassinatos no Ceará foi recorde.
O documento do Ministério Público do Ceará denuncia mais 58 policiais, entre praças e oficiais, que tiveram participação de forma direta ou indireta. Um diálogo transcrito no documento revela a violência planejada pelo grupo: “TC Alves perguntou porque escolheram Caucaia, e a manifestante respondeu que Caucaia foi escolhida porque morre muita gente, e paralisando morreria muito mais”, se referindo a uma mulher que, conforme a investigação se identificou como esposa de um policial militar que aderiu ao motim.

