O senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil junto com a família na madrugada da última terça-feira (27). Os rumores de que o senador sairia do país começaram ainda na segunda-feira (26), um dia após o resultado do segundo turno das eleições, que trouxe a derrota dele nas urnas.
Flávio recebeu uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para a entrega do passaporte à Polícia Federal. Sobre a ordem, o ex-candidato à Presidência da República se manifestou em um vídeo publicado nas redes sociais e disse que não teria a intenção de deixar o país. A atitude não confirmou o que foi declarado no vídeo, e o senador fugiu para os Estados Unidos.
A decisão
A decisão do ministro do STF se baseia em uma série de fatores. Um deles foi, inclusive, mencionado pelo irmão, o ex-deputado federal e ex-integrante da PF Eduardo Bolsonaro, às vésperas das eleições, em 23 de outubro, durante um podcast. Ele mencionou que, se o irmão fosse derrotado nas urnas, teria que deixar o Brasil.
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Risco de fuga
O pedido de recolhimento do passaporte de Flávio foi protocolado logo após o resultado das eleições. O argumento utilizado foi o risco de fuga do país para evitar possíveis sanções nas investigações do filme “Dark Horse” e o envolvimento nas “bets”, em uma sociedade com o advogado Willer Tomaz, que também fugiu para os EUA e está proibido de manter contato com Flávio Bolsonaro, também por decisão do ministro do STF.
A fuga
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil na noite de ontem (27). Segundo informações da imprensa norte-americana, o plano teria sido acobertado por aliados políticos em vários países. A informação de que o senador teria entrado em território argentino foi confirmada hoje pelo governo do país. A Direção Nacional de Migrações afirmou que o senador, acompanhado da família, entrou na Argentina às 22h50, pelo horário de Brasília, por via terrestre, por meio da Ponte Internacional Tancredo Neves, e que, mediante a documentação apresentada, não havia impedimento para cruzar a fronteira.
De lá, a família seguiu para Puerto Iguazú e embarcou em uma aeronave particular, que fez uma escala em Guayaquil, no Equador. Depois, seguiu para o aeroporto executivo de Opa-locka, em Miami, na Flórida.
Sobre a prisão
A PF divulgou uma nota nesta quarta-feira (28) sobre a determinação de entrega do passaporte de Flávio Bolsonaro. A nota diz: “No dia 25/10, representou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pela adoção de medidas cautelares, incluindo a apreensão de passaportes, a proibição de saída do país e a restrição de contato com outros investigados, após identificar risco de saída do Brasil pelo senador Flávio Bolsonaro, investigado no âmbito da PET nº 16877/DF.” A informação divulgada pela Polícia Federal afirma ainda que não existem registros oficiais da saída do parlamentar em postos de controle migratório do Brasil.
Após o descumprimento da ordem, o senador foi intimado, os passaportes foram cancelados e foi emitido um alerta no sistema SONAR.
A PF disse também que as restrições aplicadas aos documentos de viagem não caracterizam a condição de foragido nem autorizam a prisão, a vigilância permanente ou outras medidas cautelares.
Avaliação dos ministros
Segundo Valdo Cruz, comentarista de política da GloboNews, a decisão de Alexandre de Moraes de cancelar os passaportes foi criticada por ministros do STF e pelo presidente Lula.
O comentarista afirmou que os ministros disseram que Alexandre de Moraes e a PF jogaram “gasolina numa fogueira” que tendia a diminuir de intensidade.
Já com relação à fuga, os ministros comentaram que era melhor que acontecesse, pois, dessa forma, Flávio estaria provando que fugiu da Justiça brasileira.
Os ministros comentaram ainda que a maior probabilidade é que Flávio levante um discurso de perseguição política.
Por: Redação Caririensi.




