O procurador-geral do município de Milagres e secretário de Assuntos Jurídicos, Felipe Furtado, voltou a ser alvo de graves acusações. Após ser denunciado por agredir uma mulher durante festa pública no município no último dia 14 de agosto, ele agora responde também a uma representação por violência política de gênero contra a vereadora Amanda de Ubelardo (PT).
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O primeiro episódio: agressão em festa pública
Na noite de 14 de agosto, durante evento no parque de festas de Milagres, o procurador se envolveu em uma confusão que terminou com agressões contra uma mulher identificada como Roberta. O caso teve ampla repercussão, levando a Polícia Civil a instaurar inquérito para investigar a denúncia de agressão física.

Nova denúncia: violência política de gênero
Paralelamente, veio à tona uma segunda frente de apuração. A vereadora Amanda Moura apresentou denúncia ao Ministério Público do Ceará (MPCE) alegando estar sofrendo assédio moral e constrangimentos por parte do procurador durante sessões da Câmara Municipal de Milagres.
De acordo com a parlamentar, Felipe Furtado teria interferido de forma indevida nos debates legislativos, fazendo comentários depreciativos, questionando a validade de suas emendas e interrompendo reiteradamente sua fala.

Nos documentos apresentados, registrados como Requerimento nº 19, a vereadora solicita que todas as falas do procurador constem integralmente em ata para fins de memória institucional, controle interno e eventual responsabilização funcional.
Trechos destacados dos requerimentos
Nos registros oficiais, a vereadora aponta trechos de falas do procurador/assessor jurídico durante sessão extraordinária, como:
• “Essa emenda da vereadora não faz sentido”;
• “Tenha calma, eu quero falar” (dirigindo-se à parlamentar, em momento de interrupção de sua fala);
• Interferências constantes durante a apresentação de suas emendas, desviando o foco do debate legislativo;
• Confronto direto ao afirmar: “Se fere a minha pessoa física, eu tenho que rebater”.
Amanda sustenta que tais atitudes configuram violência política de gênero, prática tipificada pela Lei nº 14.192/2021, que protege a participação plena de mulheres na política contra atos de intimidação, hostilidade e deslegitimação.
Pressão por respostas
Com duas denúncias graves em menos de um mês — uma de agressão física e outra de assédio político —, a permanência de Felipe Furtado no cargo de procurador-geral do município passa a ser questionada.
Até o momento, o prefeito Derson Eugênio (MDB) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), subseção Cariri Oriental, não se pronunciaram sobre os episódios, o que tem gerado críticas da sociedade civil e de lideranças locais pela ausência de posicionamento institucional.
Clima político em tensão
As sucessivas denúncias contra o procurador reacendem o debate sobre limites de atuação de agentes públicos dentro e fora das instituições, especialmente quando envolvem figuras ligadas diretamente ao Executivo municipal.
Enquanto isso, a vereadora Amanda afirma que seguirá cobrando respeito à sua atuação parlamentar e que não irá se intimidar diante das tentativas de desmoralização.
Por: Redação Caririensi




