terça-feira, 27 de outubro de 2026

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Brasil é alvo da maior tarifa anunciada por Trump, com taxa de 50% sobre exportações

Taxa vale a partir de 1º de agosto; em carta, Trump atacou o STF e defendeu Bolsonaro, e Lula promete resposta pela Lei da Reciprocidade

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· Atualizado 3 min de leitura

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma tarifa de 50% sobre todos os produtos brasileiros, a mais alta entre os 22 países notificados até agora. A medida, que entra em vigor a partir de 1º de agosto, gerou repercussão internacional e foi classificada por analistas e entidades do setor produtivo como política, ideológica e sem base econômica concreta.

A decisão foi comunicada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por meio de uma carta oficial. No texto, Trump não apenas impõe a tarifa, como também ataca o Supremo Tribunal Federal (STF) e defende o ex-presidente Jair Bolsonaro, classificando seu julgamento como “uma vergonha internacional”. Ele acusa, sem apresentar provas, o Brasil de “atacar eleições livres” e de “censurar ilegalmente empresas americanas de mídia social”.

Apesar das alegações, os dados oficiais contradizem a justificativa. Trump afirma que os Estados Unidos enfrentam um déficit comercial com o Brasil, mas desde 2009, o Brasil é quem acumula déficits na balança com os EUA — ou seja, compra mais produtos americanos do que vende. O saldo negativo brasileiro já ultrapassa US$ 90 bilhões no período, segundo o Ministério do Desenvolvimento.

A tarifa de 50% se aplica a todas as exportações brasileiras, além de tributos já existentes em setores como aço e alumínio, e preocupa diferentes setores da economia. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) afirmou que não há qualquer justificativa técnica para o aumento, enquanto o economista Paul Krugman, ganhador do Prêmio Nobel, classificou a medida como “maligna e megalomaníaca”.

Lula reage: “Brasil é soberano e não aceitará tutela”

Após o anúncio, o presidente Lula afirmou que o Brasil “não aceitará ser tutelado por ninguém” e que o aumento unilateral será respondido com base na Lei da Reciprocidade Econômica. Ele reforçou que o julgamento dos envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 é responsabilidade exclusiva da Justiça brasileira.

Lula também respondeu às críticas de Trump sobre liberdade de expressão, dizendo que, no Brasil, “liberdade de expressão não se confunde com discurso de ódio ou violência”, e que todas as empresas devem respeitar a legislação brasileira para operar no país.

Trump também mira países do Brics

Além do Brasil, Trump afirmou que os países do Brics — bloco formado por Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul e outras nações emergentes — receberão uma tarifa de 10%, apenas por integrarem o grupo. Segundo ele, o Brics estaria tentando enfraquecer o dólar como moeda global, o que, em suas palavras, seria equivalente a “perder uma guerra mundial”.

Em resposta, Lula declarou que o Brics é um bloco soberano, e que o Brasil defende o multilateralismo e o respeito entre as nações.

Investigação comercial e repercussão internacional

Trump também anunciou a abertura de uma investigação comercial contra o Brasil, com base na Seção 301, um dispositivo da legislação americana usado para justificar sanções e tarifas a países acusados de práticas comerciais desleais — o que, segundo especialistas, não é o caso brasileiro.

A medida foi repercutida por diversos veículos internacionais, como o Washington Post, Le Monde, The Guardian e Bloomberg, que destacaram o caráter geopolítico da decisão e a imprevisibilidade de Trump em questões comerciais. Analistas lembram que o presidente norte-americano costuma fazer anúncios drásticos para, depois, barganhar vantagens em acordos bilaterais.

Enquanto isso, o governo brasileiro estuda respostas diplomáticas e comerciais para lidar com os impactos da medida caso ela se concretize em agosto.

Por: Redação Caririensi

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