Prefeitura de Juazeiro do Norte anuncia saída do consórcio de saúde em busca de economia de R$ 2 milhões anuais

A decisão foi tomada visando reorganizar as finanças municipais

O município de Juazeiro do Norte, por meio do prefeito Gledson Bezerra, anunciou nesta quarta-feira, 03, sua retirada do consórcio público de saúde que envolve a Policlínica e o CEO (Centro de Especialidades Odontológicas). O consórcio, que abrange diversos municípios, tem em Juazeiro do Norte sua maior participação. A decisão foi tomada visando reorganizar as finanças municipais diante do atual cenário de crise enfrentado pelos municípios brasileiros, segundo o prefeito Gledson.

Em entrevista coletiva, o prefeito Gledson Bezerra explicou que a principal razão para a saída do consórcio é a necessidade de otimizar os recursos financeiros em um momento desafiador para as administrações municipais. O gestor afirmou que, apesar da participação de Juazeiro no consórcio, muitos dos serviços oferecidos já são disponibilizados localmente por meio de profissionais concursados e clínicas particulares, proporcionando economia aos cofres públicos do município.

“A avaliação completa, validada pelo nosso secretário de finanças e pelos técnicos do núcleo de gestão e planejamento, concluiu que Juazeiro do Norte pode oferecer os mesmos serviços, com uma economia anual de dois milhões de reais”, ressaltou o prefeito.

Ao abordar a possível interpretação política da decisão com os embates com o Governo do Estado, o prefeito esclareceu que a medida é uma questão de responsabilidade e transparência diante das dificuldades financeiras enfrentadas. Ele ressaltou que o embate com o governo do Estado por falta de recursos para obras como o Hospital Maria Amélia, Restaurante Popular e Momorial Padre Cícero não pode ser um impeditivo para ações necessárias.

O prefeito também mencionou a queda nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), do Fundeb, destacando a necessidade de medidas para lidar com a diminuição desses recursos. A decisão de sair do consórcio foi embasada em estudos que mostraram a viabilidade de manter os serviços com eficiência e menor custo dentro do município.

Gledson Bezerra assegurou que a transição será realizada com cuidado para não prejudicar os pacientes, que terão suas marcações atendidas durante um período e, posteriormente, serão encaminhados para clínicas e laboratórios locais. Ele informou que o processo de saída do consórcio seguirá trâmites jurídicos e burocráticos, incluindo a comunicação aos demais prefeitos do consórcio e a apresentação dos documentos necessários.

Fala da secretária de saúde

A secretária de saúde Andrea Landim, também comentou sobre a decisão do município e sobre a ampliação dos serviços de saúde: “O CEO, funcionando aqui 24 horas, e a Secretaria de Saúde vai mudar para outro prédio, aqui ao lado da atual secretaria. Com esse recurso que volta para dentro de Juazeiro, a gente não vai ter somente as especialidades que a gente tinha lá, teremos a capacidade de ampliar também outros serviços, inclusive convertendo no transporte que levam as pessoas para Barbalha.”

Decisão que gerou controvérsia

A decisão foi recebida com surpresa pelo Consórcio Público de Saúde da Microrregião de Juazeiro do Norte, que lançou uma nota lamentando a medida adotada pelo município. O consórcio destacou os recordes históricos em atendimentos realizados no ano de 2023 e expressou preocupação com o impacto no atendimento à população de Juazeiro do Norte.

“Por fim, esclarecemos que os atendimentos aos demais entes consorciados serão realizados normalmente, sem qualquer suspensão e/ou ntercorrências na prestação dos serviços através dos nossos equipamento.”

Manifestação de políticos

A saída do consórcio também gerou manifestações por parte de autoridades locais, incluindo o deputado estadual Fernando Santana, o vereador Marcio Joias e o vereador Victor Lacerda, este que gravou um vídeo nas redes sociais explicar alguns pontos.

Vitor Lacerda explicou que a decisão aconteceu de maneira unilateral, e apresentou dados sobre o número de atendimentos da Policlínica e do CEO, alegando que era um valor justo pelas várias especialidades e serviços prestados. Citou uma divisão dos atendimentos realizados com o valor total do consórcio e questionou se a iniciativa privada teria a possibilidade de ofertar com o mesmo valor. Por fim, disse que por ser ano eleitoral, o prefeito dá entender que seria “pura politicagem”

Por: Redação Caririensi

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